O ex-conselheiro nacional do PSD Paulo Vieira da Silva decidiu romper com o partido em que milita há 25 anos depois de ter ouvido Passos Coelho confirmar que vai mesmo apresentar o livro escrito pelo antigo diretor do Expresso e do Sol, com revelações da vida íntima de políticos. “Uma coisa é a luta política (…) outra coisa é abençoar a devassa da vida privada e íntima das pessoas“.
Numa carta divulgada na edição desta terça-feira do jornal Público, Vieira da Silva classifica de “deplorável e nojento” o livro e considera grave ver o presidente do PSD “patrocinar esta pouca vergonha”. Ao Público, acrescenta ainda que “é completamente inadmissível que o presidente do PSD e ex-primeiro-ministro de Portugal faça a apresentação deste inqualificável livro que ultrapassa todos os limites da razoabilidade”.
Não foi uma decisão fácil, mas há momentos em que temos que ser claros e dizer não. Há limites para tudo. Uma coisa é a luta política, por vezes dura, a defesa de pontos de vista muitas vezes antagónicos de forma convicta, o estar sujeito quotidianamente ao escrutínio público, outra coisa é abençoar a devassa da vida privada e íntima das pessoas”
Foi na sequência deste episódio que tomou a decisão de se desvincular do partido, mas as razões vão muito além disto. Na mesma missiva, o antigo dirigente da distrital do PSD-Porto afirma que “no consulado de Passos Coelho” se assistiu “a uma deriva neoliberal. Passámos a assistir à defesa de um regime assistencialista em que o Estado apenas pagaria aos ‘coitadinhos dos pobrezinhos’. Esta é para mim uma visão inabalável e redutora do papel do Estado”. E ainda acusa Passos de estar “estar desfasado da atual realidade política e social”,
Ainda há um ano, o PSD esteve a ponderar a expulsão de Paulo Vieira da Silva — e também de José Pacheco Pereira — do partido, por terem criticado a coligação Portugal à Frente durante as legislativas. Nesse ano (2015), o ex-conselheiro do partido Vieira da Silva tinha enviado para a Procuradoria-geral da República, PJ e DCIAP, uma denúncia onde acusava Marco António Costa de ter “colonizado a Câmara e as Empresas de Municipais de Gaia, com ‘amigos e boys’ para ‘alimentar’ alguns e para ‘pagar favores’ a outros”.