O livro de “mexericos da vida sexual de políticos”, como o apelidou Carlos César, do ex-diretor do semanário Sol, José António Saraiva, já entrou para o debate político. À mesma hora em que, o líder parlamentar e presidente do PS aludia ao facto de Pedro Passos Coelho ter aceitado o convite para apresentar (ou “apadrinhar”) a obra, no próximo dia 26 de setembro, o líder do PSD respondia sobre o tema. Numa visita a Proença-a-Nova, Pedro Passos Coelho distanciou-se do conteúdo do livro, mas manteve-se firme na intenção de o apresentar. “O autor é ele, não sou eu, não vou defender o livro nem as suas perspetivas”, disse, sublinhando até que ainda não teve “oportunidade” de completar a leitura da obra.

“O arquiteto José António Saraiva convidou-me para o lançamento do livro, eu disse que sim até antes de conhecer a obra, que é dele não é minha. Aceitei fazê-lo e não sou de voltar com a palavra atrás, nem sou de me desculpar e dar o dito pelo não dito“, começou por dizer o ex-primeiro-ministro quando questionado sobre o desconforto que o assunto estava a levantar nas hostes sociais-democratas.

Mantendo-se firme na intenção de levar adiante o compromisso que fez com o autor do livro, ex-diretor do Sol e do Expresso, Passos quis ao mesmo tempo distanciar-se do conteúdo da obra. “Cada um terá a sua opinião sobre o conteúdo, não fui eu que escrevi o livro tão pouco, o autor é ele não sou eu. Não vou defender o livro nem as suas perspetivas, ainda nem tive ocasião de completar a leitura, não é essa a questão”, disse.

Não comento questões dessa natureza, julgo que é importante que tudo o que se passa no plano editorial e jornalístico se faça dentro de certos limites mas respeitando a liberdade das pessoas e respeitando o que são as suas opiniões e a sua visão. Não temos de estar de acordo com o que os jornalistas escrevem, com as opiniões que emitem e apreciações que fazem. Tenho respeito pelo arquiteto José António Saraiva e isso foi o que mais quis destacar quando decidi aceitar o convite que me dirigiu”, acrescentou.

Intitulado “Eu e os políticos – o livro proibido”, da Gradiva, a publicação revela pormenores das vidas pessoais e íntimas de políticos e de outras personalidades. A apresentação do livro está prevista para o próximo dia 26, em Lisboa, e contará com a presença de Pedro Passos Coelho. José António Saraiva foi diretor do Expresso durante cerca de 20 anos e lançou o Semanário Sol em 2006, do qual saiu no final do ano passado.

Passos ainda disse que não queria que a questão fosse transformada numa “questão partidária”, independentemente da “polémica que o conteúdo do livro venha a trazer”. Mas já foi tarde de mais. Pela mesma hora, em Coimbra, onde o PS está reunido para uma conferência intitulada “Desigualdade, território e políticas públicas” — classificada como a “rentrée” política do partido –, Carlos César já levava o tema para o debate partidário.

O líder parlamentar do PS começou por criticar “as rentrées políticas” de outras forças políticas, considerando que “estão mais viciadas nos piqueniques e nos comícios”. Depois, neste mesmo contexto, Carlos César procurou traçar um contraste entre essas aberturas do ano político e a iniciativa dos socialistas, que classificou como vocacionada para o debate, a reflexão “e o contraditório”.

“Bem sei, também, que esta realização [do PS] não tem a notoriedade da apresentação de um livro sobre mexericos da vida sexual de políticos (esse sim afanosamente apadrinhado pelo líder do PSD), mas sim estudar soluções para diminuir as desigualdades, o que pode não ser tão excitante”, disse.