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Venezuela

Venezuela. O minuto de silêncio que foi ‘calado’

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Um minuto de silêncio espontâneo antes do jogo Deportivo Lara e Anzoátegui homenagearam as vítimas mortais provocadas pelos protestos antigovernamentais, em Caracas. Com polémica e aplausos.

MIGUEL GUTIERREZ/EPA

Um minuto de silêncio antes do jogo. Não oficial, mas sim espontâneo. Foi assim que, no domingo passado, as equipas venezuelanas do Deportivo Lara e do Deportivo Anzoátegui homenagearam as vítimas mortais dos protestos antigovernamentais, em Caracas.

Foram 22 os jogadores que, depois do apito incial do árbitro, permaneceram imóveis e em silêncio. Passados os 60 segundos iniciais, a partida foi retomada normalmente pelas equipas. O momento, pelo qual o árbitro não esperava, foi uma ação completamente espontânea que deixou de igual maneira surpreeendida a Federação Venezuelana de Futebol (FVF). A atitude foi tomada depois do pedido ao governo de Nicolás Maduro ter sido negado.

A atitude de oposição da Federação venezuelana, que não pretendia que o gesto fosse levado a cabo, não demoveu os jogadores, que mantiveram a homenagem às cerca de 30 pessoas que perderam a vida nos protestos contra o regime de Nicolás Maduro. Um narrador da partida começou por explicar o que estava a acontecer, mas rapidamente foi silenciado. Seguiu-se o relato como se nada tivesse acontecido.

O Deportivo Anzoátegui escreveu na sua conta de twitter que foram os jogadores que tomaram a iniciativa. Também Ricardo Andreutti, um dos líderes do Deportivo de Lara, utilizou a rede social para citar Martin Luther King: “Chega um momento em que temos de tomar uma posição que não é nem segura, nem política, nem popular, mas que deve ser tomada porque a consciência diz que isso é o que está certo”.

A partida terminou com a vitória do Deportivo Anzoátegui, mas o verdadeiro triunfo foi marcado pelo momento inicial, que está a ser massivamente aplaudido por toda a Venezuela.

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