Pelo menos sete pessoas morreram num barco com quase 140 pessoas a bordo, resgatado esta madrugada a cerca de 150 quilómetros da ilha espanhola de Lanzarote, nas Canárias, avançaram fontes do Serviço de Salvamento Marítimo.

As mesmas fontes, citadas pela agência espanhola de notícias Efe, adiantaram que, dos sete mortos, apenas dois corpos foram recuperados do barco, já que, segundo os sobreviventes, os outros cinco foram lançados ao mar, no Atlântico, em circunstâncias ainda não esclarecidas.

O fim de semana passado registou várias tentativas de travessia da chamada rota Atlântica de migrações — que liga a costa da África Ocidental ao arquipélago espanhol das ilhas Canárias —, considerada atualmente uma das rotas migratórias mais perigosas e mortíferas do mundo.

No sábado, as autoridades registaram duas operações em Lanzarote e uma na ilha de El Hierro, totalizando quase 300 pessoas, de acordo com as contagens iniciais, ainda provisórias.

No domingo, 107 pessoas, entre as quais cinco mulheres e três crianças, foram resgatadas de uma pequena embarcação (conhecida como cayuco), a cerca de nove quilómetros de El Hierro.

Dois dos resgatados tiveram de ser levados ao hospital para receberem assistência médica, enquanto os restantes ocupantes da embarcação foram acolhidos por equipas de emergência à chegada à ilha.

A rota do Atlântico, que parte de Marrocos e Saara Ocidental, no caminho mais curto, e da Mauritânia, Senegal, Gâmbia e Mali, nas travessias mais longas, pode demorar dias ou semanas em mar aberto.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]

O Atlântico é conhecido pelas suas correntes violentas e há registos de embarcações encontradas meses depois do outro lado do mundo (como no Brasil ou nas Caraíbas) com todos os ocupantes mortos.

Nos últimos dois anos registou-se uma diminuição do número de travessias em direção às Canárias, em comparação com os recordes históricos de 2023 e 2024, mas a letalidade da rota aumentou, com mais mortes proporcionais devido à abertura de trajetos mais longos e perigosos (como a partir da Guiné-Conacri ou Gâmbia).

As estimativas de vítimas mortais dividem-se da seguinte forma no ano passado apontam para a chegada às ilhas espanholas de 17.788 migrantes irregulares, a bordo de 263 embarcações, enquanto este ano o número apresentado pela ONU é de 416 mortos ou desaparecidos.

No entanto, a organização não governamental (ONG) Caminando Fronteras documenta 1.906 mortes nesta rota atlântica.

O fluxo de embarcações na rota costuma intensificar-se no outono, sendo que, só desde outubro, já foram contabilizadas mais de 5.000 chegadas.

O Projeto Migrantes Desaparecidos da Organização Internacional para as Migrações documentou pelo menos 4.857 mortes e desaparecimentos oficiais acumulados entre 2014 e meados de 2024, mas a própria agência reconhece que o número real deverá ser substancialmente maior.