Autárquicas 2017

Loures. Candidata do PS admite coligação com André Ventura

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A socialista Sónia Paixão admite ter como vereador André Ventura, o candidato do PSD acusado de racismo e xenofobia. A CDU remete para o pós-eleições a decisão de se coligar com o social-democrata.

A socialista Sónia Paixão, candidata do PS a Loures, admitiu ao Observador que aceitaria uma coligação com o polémico André Ventura, do PSD, se fosse preciso viabilizar um executivo camarário do PS naquele concelho. Apesar das palavras duras de António Costa sobre a manutenção do apoio de Pedro Passos Coelho, líder social-democrata, ao candidato acusado de racismo e xenofobia — uma “desonra”, afirmou — por causa das declarações sobre ciganos, Sónia Paixão diz que este dava “um bom vereador”, embora não um bom presidente de câmara. A CDU também não fecha a porta ao PSD: mas diz que só pensará nisso depois de 1 de outubro.

Numa conversa com o Observador, a socialista acusou a CDU e o PSD de estarem a preparar uma nova coligação pós-eleitoral — os sociais-democratas têm dois vereadores com pelouros no executivo liderado pelo comunista Bernardino Soares — mas a CDU diz que só avaliará essa possibilidade depois de 1 de outubro. O candidato social-democrata afasta totalmente a hipótese de o seu partido apoiar de novo um executivo liderado pelo PCP. Se não houver um novo pacto “vodka-laranja”, como é conhecido o executivo CDU-PSD, o cenário pode passar por um acordo dos comunistas com o PS. Mas a candidata socialista admite não só este cenário, mas também uma coligação com o PSD.

Sónia Paixão, a candidata do PS à câmara de Loures, diz ao Observador que possui informações internas dos seus adversários que indicam a repetição do apoio dos sociais-democratas aos comunistas após as eleições. “Tenho tido telefonemas várias pessoas de ambas as candidaturas ligadas aos dois quadrantes políticos, que dão conta de um pré acordo eleitoral entre a CDU e o PSD”, acusa a socialista.

Esta ex-vereadora do PS — que esteve na câmara de Loures entre 2009 e 2013 — diz ter como objetivo ganhar as eleições, mas admite ao Observador a possibilidade de viabilizar um executivo da CDU ou até de governar com o PSD, ou seja, “com quem der melhores condições de cumprimento do programa”. No concelho há um passado de alianças à esquerda e à direita: “O histórico do PS em Loures demonstra que houve disponibilidade: estivemos coligados com a CDU e com o PSD em momentos diferentes”, diz Sónia Paixão ao Observador.

E seria capaz de fazer uma coligação com André Ventura? Sónia Paixão responde que sim:

Acho que o André Ventura pode dar um bom vereador, nunca um bom presidente da câmara”.

A disponibilidade da candidata do PS contrasta com as declarações de António Costa sobre André Ventura, quando este disse que os ciganos viviam exclusivamente das prestações sociais: “Já viram a triste situação em que eu estaria se fosse líder do PSD e estivesse no concelho de Loures a apoiar um candidato que desonra qualquer partido democrático?”, disse o secretário-geral socialista quando Pedro Passos Coelho manteve o apoio ao seu candidato (enquanto o CDS se retirou e lançou uma candidatura própria).

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Sónia Paixão também disse ainda ao Observador que também considera haver sinais de “não agressão” entre a CDU e o PSD. “O Bernardino Soares não responde a nenhumas afirmações do candidato do PSD André Ventura”, acusa.

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Apesar de Bernardino Soares ter respondido com dureza a André Ventura — quando este fez as declarações sobre a comunidade cigana — e de ter dito que eram palavras “inaceitáveis e xenófobas”, o PCP não fecha para já a porta a um entendimento com o PSD. Os comunistas consideram que é “matéria para avaliar depois de 1 de outubro”, diz ao Observador Alexandre Teixeira, do gabinete da CDU de Loures — para onde Bernardino Soares remeteu as respostas ao Observador. “Até lá estamos no terreno da especulação”, afirma.

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Este dirigente comunista, no entanto, não considera a polémica sobre os ciganos “uma questão menor” e é “um elemento estranho neste nível de candidaturas”, diz Alexandre Teixeira ao Observador.

O candidato do PSD é claro: “Tenho sido muito claro desde o início. Acho esta coligação contra-natura. Mesmo ao nível do município temos projetos muito diferentes”, diz André Ventura ao Observador, apesar de o seu número dois, Nuno Botelho, ser um dos vereadores com pelouro. “Se não ganhar, não estou disponível para ser muleta da CDU”, afirma o social-democrata contestando assim a as informações que a sua adversária do PS diz ter. “Também tenho informações de que o PS quer meter a família toda na câmara outra vez, como aconteceu quando estavam à frente do município”, contra-ataca Ventura.

O social-democrata garante que ficará como vereador e diz que, no caso de o vencedor não ter maioria, “os três partidos [CDU, PS e PSD] têm de pensar a que consensos podem chegar ou então teremos eleições ao fim de seis meses ou um ano”.

Em 2013, os resultados foram muito equilibrados e a CDU conquistou a câmara ao PS com uma diferença de 2.873 votos em 82 mil votantes, para um total de 166 mil inscritos nos cadernos eleitorais. A CDU teve 34,7% e cinco vereadores, o PS conseguiu 31,2% e quatro vereadores, e o PSD obteve 16% e elegeu dois vereadores.

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