O cofundador e líder da Web Summit, o irlandês Paddy Cosgrave, fez um discurso durante o jantar exclusivo que teve lugar no Panteão Nacional onde dizia ter falado com “o ministro”, que lhe terá dito que era a primeira vez que havia um jantar naquele monumento, onde estão sepultados Humberto Delgado, Amália Rodrigues e Sophia de Mello Breyner Andresen, entre outras figuras nacionais.
No discurso, que surgiu através de um vídeo partilhado no Instagram, e depois replicado no Twitter, Paddy Cosgrave não especifica qual é o ministro em causa. O Observador contactou o gabinete de assessoria de imprensa da Web Summit para saber qual foi o ministro com quem Paddy Cosgrave discutiu o jantar no Panteão Nacional. Até agora, não recebemos qualquer resposta. Entretanto, o cofundador da Web Summit pediu desculpa pelo jantar.
https://twitter.com/Vasco_da_Gamba/status/929371978284269568?s=08
O vídeo ganha relevância à medida que, da parte do Governo, diferentes ministérios negam ter conhecimento do jantar, que aconteceu esta sexta-feira à noite, depois do encerramento da Web Summit.
O Observador contactou o gabinete do primeiro-ministro, António Costa, que remeteu para o comunicado emitido esta tarde. “A utilização do Panteão Nacional para eventos festivos é absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”, disse o gabinete de António Costa.
Na cerimónia de abertura da Web Summit, Paddy Cosgrave referiu-se várias vezes a António Costa, chamando-lhe sempre “primeiro-ministro” e não “ministro”.
Da parte do Ministério da Cultura, que o Observador também contactou por ter a tutela dos monumentos nacionais, foi emitido um comunicado onde era dito que o ministro, Luís Filipe Castro Mendes, “tomou hoje [sábado] conhecimento da realização de um jantar no Panteão Nacional, facto que estranhou”.
Contactado pelo Observador, o Ministério da Economia, o mais próximo da organização do evento, remeteu para o comunicado do gabinete do primeiro-ministro e recusou comentar o caso.
Em inglês, a palavra “minister” pode também significar “padre” ou “sacerdote”. E o Panteão foi construído como igreja, onde foram celebradas missas ainda antes do 25 de Abril, mas deixou de ser igreja, não tem símbolos religiosos e não tem clero permanente, além de não estar ligado ao Patriarcado, apesar de ter recebido cerimónias religiosas mas de forma esporádica.