Ordem dos Enfermeiros

Enfermeiros. Administrador do Hospital de Guimarães acusa bastonária de incentivar “violação do direito à privacidade”

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Administrador do Hospital de Guimarães nega qualquer tipo de caos nas urgências a acusa bastonária da Ordem dos Enfermeiros de incentivar a "violação do direito à privacidade de doentes".

O presidente do Conselho de Administração do Hospital de Guimarães, Delfim Rodrigues, disse esta segunda-feira ao Observador condenar “veementemente o incentivo perpetrado” pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, “para a violação do direito à privacidade de doentes, familiares e profissionais de saúde através da captura de fotografias, bem como o apelo à denúncia anónima e irresponsável”.

Delfim Rodrigues diz também negar “categoricamente e de forma absoluta, qualquer tipo de caos ou macas em receções”.

As declarações do administrador do Hospital de Guimarães surgem na sequência da notícia publicada esta segunda-feira pelo Observador, que dá conta de uma denúncia feita por enfermeiros daquele hospital relativamente à falta de capacidade da unidade para atender os doentes no serviço de urgência. Os enfermeiros denunciam inclusivamente a instalação temporária de macas na receção do hospital.

A polémica começou com a denúncia pública, por parte de um conjunto de enfermeiros do Hospital de Faro, do caos vivido naquele hospital durante o pico da gripe. A Ordem dos Enfermeiros aplaudiu a denúncia, que veio acompanhada de fotografias, e apelou “aos enfermeiros de todo o país para que sigam o exemplo dos colegas de Faro na denúncia das situações que põem em causa a dignidade humana”.

Para o administrador do Hospital de Guimarães, “a Ordem dos Enfermeiros deve trabalhar em conjunto com todas as instituições do SNS [Serviço Nacional de Saúde] para a melhoria dos serviços prestados à população e não incentivar à violação da lei, nem criar a desconfiança nos serviços e a insegurança nos cidadãos”.

“Os cidadãos que recorrem aos serviços de saúde estão já debilitados com a doença de que padecem, mais ficam com a criação de um clima de desconfiança nos serviços e nos profissionais que os atendem”, diz Delfim Rodrigues.

O responsável daquele hospital lembra ainda que a bastonária da Ordem dos Enfermeiros “não detém competências próprias (como aliás decorre da lei e do parecer homologado da PGR), mas sim competências delegadas pelo Estado de Direito. Por conseguinte não pode usar essas mesmas competências contra o Estado que lhe as delegou, sob pena que o Estado, e face à permanente violação da lei, lhe avoque essas mesmas competências que abusivamente vem exercendo”.

Rejeitando a denúncia relativa ao Hospital de Guimarães, Delfim Rodrigues defende que “o SNS é o serviço público mais escrutinado em termos de oferta e disponibilidade assegurando essa informação online 24 horas por dia no site MYSNS, onde facilmente se acede e constata que os nossos tempos de espera em serviço de urgência se compaginam com os critérios clínicos estabelecidos”.

Esta segunda-feira, em entrevista ao jornal i, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros falou sobre estas denúncias recentes, denunciando que os doentes são escondidos sempre que um membro do Governo visita um hospital. “Escondem-se os doentes em qualquer sítio, até debaixo de escadas”, disse Ana Rita Cavaco. “Não é a esconder a verdade que vamos resolver o problema. É muito triste que isto aconteça.”

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