Força Aérea

Descolagem para o último voo

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O General Casimiro Abreu Proença foi um dos oficiais que deixou uma boa marca na Instituição Força Aérea, não a desmereceu e passou o testemunho positivamente aos vindouros e ao País. 

General Casimiro de Jesus de Abreu Proença – Presente!

“O homem é o homem e a sua circunstância”
Ortega y Gasset

A “minha” Força Aérea está a desaparecer. Isto é, a Força Aérea onde fui formado e que conheci — mas que nunca conhecemos no seu amplexo mais amplo… No caso vertente os homens com quem privei (já não fiquei para conhecer as mulheres…), ou seja as pessoas que fazem as Instituições.

Sem embargo das Instituições serem muito mais do que as pessoas que as constituem em cada momento, pois transportam consigo o cadinho do trabalho e do espírito de todos os que antecederam os contemporâneos, e as projectão no futuro. Numa palavra estão antes delas e para além delas.

O General Casimiro Abreu Proença, falecido esta sexta-feira com a provecta idade de 86 primaveras foi um dos oficiais que deixou uma boa marca na Instituição Força Aérea, não a desmereceu e passou o testemunho positivamente aos vindouros e ao País. Digo isto pois tive o grato gosto de o conhecer – apesar de já num estágio avançado da sua carreira – e de o comprovar. Razão porque estou aqui a atestá-lo e, se me permitem, a homenageá-lo.

O “nosso” General teve uma carreira típica e “pura” dentro do ramo que escolheu (e foi aceite!) entrar, em 1949, tendo feito o seu tirocínio nos EUA, na prática a única saída do país para uma estadia no estrangeiro, que efectuou, numa altura em que estas “comissões” eram raras.

Fez toda a sua carreira subindo a pulso a cadeia hierárquica dos postos, funções e das qualificações, tendo por pano de fundo a aviação de transporte (Noratlas, DC-4, C-54, DC-6 e B-707) sem embargo de ter sido “caracol” (instrutor na esquadra de instrução complementar, equipada com T-33).

Ilustrou a sua existência com duas comissões nos teatros de operações de Angola e Moçambique, em operações reais de combate, na defesa da Pátria.

Esteve do lado (certo) das forças sãs, na defesa da Nação e do Estado, durante a louca aventura que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 e foi um dos “vários braços” que a nova chefia da Força Aérea – que por especial graça divina, recaiu no General Lemos Ferreira – teve a sorte e o saber de encontrar para projectar o futuro da FA, que esteve em sério risco de desaparecer.

O General Abreu Proença era uma pessoa simples e directa e, apesar de não possuir o dom da palavra, conseguia dizer tudo o que queria e fazer-se entender sem ouropéis de frases redondas. Foi um operacional e nunca foi um “político”. Era leal e nunca se pôs em bicos dos pés. Era humano e não consta que alguma vez se tenha desonrado.

A Força Aérea deve preservar a sua memória.

Deixa saudades a quem o conheceu; a mim, seguramente deixa. Meu General estou certo que efectuará uma suave aterragem no seio da nossa Padroeira, Nossa Senhora do Ar.

Oficial Piloto Aviador

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