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A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, elogiou hoje o esforço e a determinação de Portugal ao longo do programa da ‘troika’ que está agora a terminar, e diz que está a dar a volta por cima e a está já a construir por cima dos progressos já alcançados.

“Hoje, mais uma vez, Portugal olha em frente. Completou com sucesso o programa de reformas económicas depois de um massivo esforço, determinação e sacríficos do povo português”, afirmou a chefe do FMI, num discurso que abriu o Fórum do Banco Central Europeu, em Sintra.

No encontro, onde durante três dias vários economistas e líderes de instituições internacionais debatem os novos caminhos da política monetária, a líder do FMI fez apenas esta referência, em jeito de elogio, a Portugal.

Christine Lagarde introduziu então o tema: deve a política monetária incluir a estabilidade financeira como objetivo? Lagarde afirma que a atual crise demonstrou que a estabilidade de preços não é suficiente, e que a estabilidade financeira é um objetivo essencial e que veio para ficar.

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A responsável defende que se as políticas prudenciais tiverem falhas, a política monetária deve ajudar a manter a estabilidade financeira através do seu kit habitual: as taxas de juro. Assim, a responsável considera que deve ser melhorado o quadro prudencial para o sistema financeiro, para não sobrecarregar a política monetária, mas quando essas políticas macro prudenciais falharem, a política monetária será obrigada a ter um papel maior do que no passado para manter a estabilidade financeira.

Para isto, o BCE precisaria de um mandato mais alargado. A responsável considera que é possível juntar no mesmo as políticas monetária e macro prudencial, como provam outros bancos centrais, desde que seja salvaguardada a independência da política monetária.

A política monetária teria de ter como prioridade, de qualquer das formas, a estabilidade de preços.

Cooperação internacional das políticas monetárias

Citando a volatilidade recentemente verificada nos mercados emergentes, em especial nos mercados asiáticos, a diretora-geral do FMI defendeu também que é necessário haver cooperação entre as entidades responsáveis pela política monetária.
“As economias desenvolvidas podem ajudar a reduzir a volatilidade comunicando de forma mais clara do curso da sua política monetária”, disse, citando uma análise interna do fundo que gere.

Christine Lagarde reconhece que é mais difícil defender esta cooperação numa altura em que a situação começa a normalizar, mas que “é preciso um esforço concertado para examinar a eficácia das respostas coordenadas, os seus efeitos de contágio”, garantindo que o FMI pode contribuir para esta cooperação.

A responsável lembrou os cortes concertadas de taxas de juro durante o pico da crise financeira, os acordos para disponibilizar liquidez em diferentes moedas em várias partes do mundo, entre banco centrais.