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Parabéns a você, nesta data querida. Neste caso, para Yaya Touré. O costa-marfinense chegava aos 31 anos e parecia estar feliz da vida. Afinal, este aniversário até tinha sido diferente. As circunstâncias fazem batota e dão-lhe um presente antes de tempo – a dois dias de a velhice lhe ganhar mais algum terreno, o jogador conquista a Premier League inglesa com o City. Festa antecipada em Manchester, mas por acaso nem foi com batotice.

Acabou antes por ser uma compensação. Isto porque, a 13 de maio, no seu dia, Touré está enfiado num avião com destino ao Abu Dhabi. Os restantes jogadores, staff e equipa técnica do City fazem-lhe companhia. À falta de melhor, oferecem-lhe um bolo e 31 velas para soprar. Esta terça-feira, 14 dias depois, tudo muda. “Seria uma honra poder um dia fazer parte de um clube como o PSG. Se puder ser útil…”, disse o gigante médio à France Football. Ao que parece, Yaya Touré quer sair de Manchester. As razões brotaram entre 13 e 27 de maio e uma só semente terá germinado tudo – o aniversário.

No voo rumo ao Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, não há problemas. A festa faz-se e Yaya celebra. Aterra o avião, todos entram no aeroporto e, à espera, estão os proprietários árabes do City. Nenhum deles aperta a mão a Touré. Nenhum lhe oferece um voto de parabéns. “Isto mostra que não se preocupam com ele”, queixou-se logo Dimitri Seluk, à BBC. E este, quem é?

https://twitter.com/Toure_yaya42/status/468737910897131520

Um empresário. E logo o de Touré. Assim que o costa-marfinense chega aos Emirados Árabes Unidos, o agente começa a disparar críticas. A 20 de maio pega nessa arma, no mesmo dia em que o jogador vai à caixa de correio e lá encontra uma carta de parabéns, enviada pela direção do Manchester City – com sete dias de atraso. “Claro que o Yaya está chateado com isto. Era o seu aniversário e ninguém lhe disse nada. Se o City não o respeita é simples – o Yaya vai embora. Sem problemas”, resumiu Seluk.

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Um bolo de anos em vez de um Bugatti

Agora sim, o caldo entorna e os alertas soam no lado azul de Manchester. Justifica-se: está em causa a possível saída de um médio que, esta temporada, faz 49 jogos, marca 24 golos e ainda aprende a lançar bombas a partir de livres diretos. Só podia ser motivo de preocupação. A coisa fica mesmo séria quando, no Twitter, o próprio Yaya sublinha: “Tudo o que o Dimitri disse é verdade. Ele fala por mim. Darei uma entrevista após o Mundial para explicar.” A mensagem já foi eliminada, mas a ideia ficou – algo está mal. O que desejará então o costa-marfinense: um contrato mais chorudo, a braçadeira de capitão ou um volante novo nas mãos?

Touré nada disse, mas Celuk não ficou calado. E aqui começa o ping-pong de contradições. O empresário responde pelo jogador e começa por se inclinar para a terceira opção. “O Yaya recebeu um bolo mas quando o Roberto Carlos fez anos o presidente do Anzhi deu-lhe um Bugatti”, lembra. O agente, ucraniano, referia-se ao episódio de abril de 2011, quando, já em modo pré-reforma, o brasileiro foi ganhar milhões para Makhachkala e, ao 38.º aniversário, o líder do clube siberiano resolveu oferecer-lhe um Bugatti Veyron – carro que custou à volta de 1,8 milhões de euros.

O empresário chateado com tudo

Pelo exemplo dado, presume-se que foi este o gesto que faltou aos donos do City. Certo? Errado. “Não espero que o City ofereça um Bugatti [a Yaya Touré], só pedíamos que [os dirigentes] lhe apertassem a mão e dissessem: ‘Parabéns.’ É o mínimo que podiam fazer quando é o aniversário dele e o plantel está todo reunido”, explica. No sumário da matéria dada, portanto, lê-se que apenas faltou um aperto de mão. Talvez para Touré, com certeza para Celuk. “O mais importante é a relação humana”, confirmou o ucraniano, tanto que, depois, até disse que “está tudo ok com o contrato” do costa-marfinense e a intenção não passa por “receber mais dinheiro”. O problema é outro. “Se não respeitarem o Touré, ele vai-se embora”, volta a avisar o empresário.

Celuk até acaba a refilar com o facto de os proprietários do clube terem comido um bolo  – alegadamente com 100 quilos de peso – no dia em que o Manchester City conquistou a Premier League. “Mas quando estão com o Yaya e o resto da equipa, nenhum deles o cumprimenta”, criticou. Tanto coisa dita e o jogador calado. Durou até esta terça-feira. Yaya Touré decide falar e solta um desabafo à France Football para se colocar a jeito de outros milionários – os do Paris Saint-Germain. “Vendo os objetivos do clube, como se pode não ficar interessado por um clube destes? O PSG tornou-se num dos sítios fortes da Europa”, justificou o costa-marfinense. Quem percebe agora o alarido causado por Dimitri Celuk?