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Depois de se sentir “magoado” e “injustiçado” com o anúncio da disponibilidade de António Costa para se candidatar ao seu lugar, António José Seguro passou ao ataque. Em entrevista à TVI, o secretário-geral do PS afirmou que Costa move-se por “jogos de poder” e pela “ambição” e garantiu não ter ficado surpreendido com o apoio de Mário Soares (que já esteve do seu lado), nem ao de José Sócrates ao autarca de Lisboa: “Não me surpreendeu atendendo aquilo que tem sido o percurso desses dois militantes”, mas, disse, “a democracia é uma coisa fantástica” pois “os notáveis não têm 100 votos ou 1.000 votos, cada um faz a sua escolha”.

Seguro confessou mesmo estar ali “para se defender” e disse estar convicto que a sua proposta de diretas para a escolha do candidato do PS a primeiro-ministro (abertas a militantes e simpatizantes) e não para secretário-geral, como queria Costa, não originará uma liderança bicéfala: “Não vai haver porque eu vou ganhar essas eleições”.

“Uma pessoa que tem medo não faz o que propus hoje”, começou por dizer, explicando depois que as diretas abertas a não militantes é uma forma de ter mais legitimidade: “Se a escolha fosse só dentro do PS, podia ser acusado de estar a ser legitimado apenas pelo aparelho”.

Seguro chegou este sábado de manhã à reunião da comissão nacional com uma proposta que surpreendeu a maioria dos dirigentes. Decidiu propor eleições primárias para a escolha do candidato do partido a primeiro-ministro e não para a escolha de novo secretário-geral. Sendo assim, mantém-se na liderança. “Não me demito”, disse na altura aos militantes.

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“Na política, não vale tudo”, explicou na entrevista à TVI, sobre o autarca de Lisboa, queixando-se também de durante três anos ter estado a ser “fragilizado, em todo o espaço mediático”.

Para Seguro, os portugueses “estão fartos jogos palacianos” e o que Costa fez “é inaceitável”. “Não se faz a um partido e a um líder eleito democraticamente” que ganhou duas eleições (autárquicas e europeias), atirou.

O secretário-geral justificou ainda a sua mudança de posição relativamente a diretas abertas a simpatizantes. Segundo o socialista, os resultados das europeias fizeram-no ver a bondade desta ideia, uma vez que houve muitos votos brancos e nulos, sinal de “protesto” em relação aos partidos, explicou. E que obriga a repensar os partidos e o sistema político, defendeu. “Eu não me demito, mas também não meto a cabeça na areia”, disse Seguro, que apresentou este sábado também duas propostas de redução de 230 para 180 deputados e de um novo regime de incompatibilidades para cargos políticos.

O PS ganhou as europeias com 4% de diferença da coligação PSD-CDS. Um resultado que Seguro reconheceu ter ficado aquém do esperado “tendo em conta as sondagens”, mas atribuiu a Sócrates a culpa nesse resultado : “Há muitos portugueses que consideram que o PS tem muitas responsabilidades em relação ao estado a que o país chegou”.