O aumento de impostos nas bebidas alcoólicas não tem um “impacto significativo” nas receitas fiscais dos países e não é solução para os consumidores mais “agressivos”, explicou ao Observador Gregor Zwirn, investigador na área do consumo e venda de álcool do Center for Mathematical Economics da Universidade de Bielefeld, na Alemanha.

Em Portugal, cerca de 90% da população consome álcool moderadamente, ou seja, os homens bebem dois ou mais copos por dia e as mulheres até dois, segundo Zwirn. Este tipo de consumidor tende a cortar no consumo quando se depara com uma subida no preço, reduzindo a quantidade de álcool que bebe ou trocando as bebidas por outras mais económicas, o que acaba por invalidar a teoria do aumento das receitas, explicou o especialista. “Do ponto de vista fiscal, a medida acaba por não ter o impacto pretendido”, acrescentou.

Para Gregor Zwirn, que esteve esta terça-feira em Lisboa para falar sobre “os jovens e o álcool”, é importante que os governos olhem para a realidade social e económica do seu país, antes de decidirem aumentar o preço das bebidas. “A melhor política de preços depende do objetivo que o país quer alcançar. Muitos governos olham para este aumento como uma forma de aumentar receitas, mas não existe uma boa razão que sustente isso”, explicou.

Combater o consumo elevado de álcool através da política de preços também não é solução para Zwirn . “Este tipo de política não tem impacto nas pessoas consideradas de risco, porque o seu comportamento não é influenciado pela alteração nos custos”, explicou, acrescentando que o maior consumo de álcool se regista, tendencialmente, entre as pessoas de classes sociais mais elevadas.

Para o o especialista austríaco, uma das soluções passa por chegar às pessoas antes de elas desenvolverem comportamentos aditivos, passando por uma forte campanha educativa. Aumentar os impostos nas bebidas espirituosas e não no vinho, por exemplo, também não resulta, porque as pessoas utilizam o chamado “efeito de substituição” e mudam o produto.

No passado dia 29 de maio, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, afirmou que em 2015 haverá novo aumento de impostos sobre o álcool e o tabaco em Portugal.