Dez dos atacantes ao aeroporto Internacional de Jinnah, em Carachi, encontram-se entre os 28 mortos, de acordo com o mais recente balanço das autoridades paquistanesas, o qual foi, contudo, divulgado antes do fim dos confrontos. Agora o exército e os paramilitares vão entregar o controlo do aeroporto à Autoridade de Aviação Civil pelas 12h00 (08h00 em Lisboa), disse o porta-voz dos Rangers, Sibtain Rizvi, aos jornalistas.

Os taliban paquistaneses reivindicaram a responsabilidade por este ataque, revelou esta segunda-feira a CNN. O comandante do grupo, Abudllah Bahar, disse, a partir de um local não identificado, que o ataque foi levado a cabo como vingança pela morte do líder anterior, Hakimullah Mehsud. Mehsud foi morto em novembro de 2013 por um drone norte-americano.

“O Paquistão usou as conversações de paz como uma ferramenta de guerra (…). Este é o nosso primeiro ataque vingando a morte de Hakimullah Mehsud”, afirmou o mesmo responsável. Abdullah Bahar prometeu mais ataques no Paquistão. “Enquanto respirarmos, os nossos ataques continuarão até ao fim das nossas vidas”, disse.

Desde 2007, quando os taliban começaram a insurgir-se contra o estado paquistanês, o grupo fez vários ataques semelhantes. Em 2011, atacou a base naval de Mehran – perto do aeroporto de Carachi – e matou 10 pessoas, num cerco que demorou 17 horas. Em 2009, num assalto à sede militar na cidade de Rawalpindi, foi responsável pela morte de 23 pessoas, incluindo 11 soldados e três reféns. Nesse ano os taliban paquistaneses também reivindicaram um ataque suicida numa base militar norte-americana no Afeganistão onde morreram cinco agentes da CIA e um membro dos serviços secretos jordanos.

Os EUA ofereceram, na altura, uma recompensa de cinco milhões de dólares para quem fornecesse pistas que pudessem levar à captura de Hakimullah Mehsud.

Segundo o Guardian, o ataque no aeroporto de Carachi vai levantar o debate sobre a decisão controversa do Governo paquistanês de negociar com os taliban, em vez de usar mais força. O primeiro-ministro Nawaz Sharif começou as negociações em fevereiro, com um cessar-fogo que teve início a 1 de março, mas terminou um mês depois.

O ataque inicial ao aeroporto Internacional de Jinnah começou pelas 23h30 de domingo e prolongou-se pela madrugada de segunda-feira. Equipados com coletes de explosivos e granadas, os terroristas lutaram contra as forças de segurança num dos mais violentos ataques em cidades paquistanesas nos últimos anos. Entre as 24 vítimas há agentes de segurança e quatro trabalhadores do aeroporto.