Fardado e armado como se estivesse de serviço. Foi assim que um militar da GNR, acompanhado de quatro outros suspeitos, conseguiu entrar em, pelo menos, três casas e roubar várias peças de valor. O suspeito foi detido durante a última semana pelos próprios colegas do Núcleo de Investigação Criminal de Almada, numa operação que envolveu uma grande “discrição”.

Segundo fonte da GNR, quando, há seis meses, começou a investigação os militares estavam longe de saber que um dos suspeitos era um colega de serviço.

“Primeiro percebemos que, pelo modo de atuação, se tratava do mesmo grupo. Só depois concluímos que um dos elementos era militar da GNR”, disse a mesma fonte ao Observador.

O militar, de 33 anos, estava nos serviços administrativos do Comando Geral da GNR, em Lisboa. Mas vivia na margem Sul. O juiz de instrução criminal decretou que ficasse em prisão preventiva enquanto aguarda o desenrolar do processo.

Do grupo de cinco suspeitos, entre os 33 e os 58 anos, dois outros ficaram em prisão preventiva. Terão sido esses três que, vestidos com fardas da GNR, batiam à porta das vítimas fazendo passar-se por agentes da autoridade. Depois ameaçavam-nas e roubavam vários bens e valores. Os outros dois suspeitos estão em liberdade.

Na operação, que decorreu entre 11 e 16 de junho, foram feitas oito buscas em casas localizadas no Monte da Caparica e no Feijó. Foram apreendidas várias peças de fardamento da GNR, usadas nos roubos, 40 telemóveis, dois computadores, um LCD, duas embalagens de gás pimenta e várias armas de fogo, entre caçadeiras e revólveres. A GNR apreendeu ainda 7.300 euros em dinheiro.

Como se investiga um colega da instituição? De acordo com a GNR, com “discrição” máxima. “Já não é comum falar-se das investigações. Mas, nestes casos, os investigadores têm que ter especial cuidado e não falar, sequer, com os colegas do posto territorial”.

Militar suspenso

O militar da GNR foi imediatamente suspenso de funções. Paralelamente decorrerá um processo disciplinar para decidir qual o seu futuro na instituição. Segundo o último balanço social da GNR, referente a 2012, naquele ano foram demitidos 46 e suspensos 134 militares na sequência de processos disciplinares.