O economista, e presidente da SIBS, Vítor Bento, disse hoje que o ajustamento externo de Portugal nos últimos anos foi “considerável”, mas não partilha da visão oficial de “sucesso”, pois uma economia com 15% de desemprego não é equilibrada.

“Acho que conseguimos um ajustamento externo considerável e notável, mas não partilho da visão oficial do sucesso do ajustamento externo, porque com 15% de desemprego não podemos considerar que a economia esteja equilibrada”, afirmou Vítor Bento.

O responsável falava durante a sua intervenção no 20.º encontro da Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco (SaeR), que hoje decorre em Lisboa, com o tema ‘A Nova Economia e as Novas Formas de Financiamento’, no qual foi feito um tributo ao fundador da SaeR, professor e antigo ministro Ernâni Lopes.

De acordo com Vítor Bento, o investimento externo “está feito à custa de um equilíbrio interno”.

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E “para recuperar o equilíbrio interno provavelmente teríamos de entrar em desequilíbrio externo”, disse.

Vítor Bento passou em revista a situação económico-financeira de Portugal e recuou à década de 1960 para concluir que desde então “o emprego produtivo não variou” e “é praticamente o mesmo” com o que se verificou em 2013.

O economista falou sobre a realidade de Portugal desde a entrada para a União Europeia, destacando a baixa criação de emprego e o fraco investimento, mas foi no contexto da zona euro que Vítor Bento considerou “muito medíocre” o desempenho do país, sobretudo de 1999 a 2013.

“Temos que resolver esta questão, há década e meia que estamos a estagnar e isso está a levar a uma situação de empobrecimento relativo”, afirmou.

O especialista centrou-se ainda no ‘stock’ de capital por trabalhador empregado, que classificou como “muito mais baixo do que o da média europeia” e explicou que o investimento – “de muito baixa qualidade” – não tem sido suficiente, para repor este ‘stock’ nos últimos dois ou três anos.

Vítor Bento alertou que para repor o ‘stock’ de capital, o investimento tem que ser 18% do Produto Interno Bruto (PIB) e criticou a taxa de poupança “muito baixa”, atualmente na ordem dos 15%, quando esta atingir pelo menos os 20%.