Depois de a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, ter anunciado um buraco de 860 milhões de euros, consequência do chumbo do Tribunal Constitucional (TC), Luís Marques Mendes pediu a um “amigo especialista” para fazer contas. “Com esta execução orçamental, se não tivesse havido chumbo do TC, podíamos ficar com um défice de 3,5%. Mesmo com o chumbo, e se não houver mais chumbos, com uma boa execução é possível chegar aos 4% sem aumentar os impostos”, disse.

O problema, disse o comentador da SIC na noite de sábado, é se o TC voltar a chumbar uma medida do Governo – como a Contribuição de Solidariedade (que corta uma parte das pensões). Mendes diz que não se admiraria, por causa da “visão conservadora do TC”. Mas, alertou, se o TC disser que “não são possíveis mais cortes”, então a “única forma é aumentar o IRS, porque o IVA não vai ser suficiente”. E, adianta “no CDS acham que se isso for feito, mais vale o PSD demitir-se”, abrindo uma crise política e provocando eleições legislativas. ” isso será negativo para o país”, concluiu o ex-líder do PSD.

Enquanto elemento do Conselho de Estado, Marques Mendes “não pode dizer” o que vai ser discutido já esta quinta-feira. “Mas posso dizer o que esperar. Cavaco sabe que não vai haver grandes consensos mas quer deixar as portas abertas”, defende Marques Mendes. Portas abertas para que a “crispação” política não aumente, diz. Outro assunto, deverá ser “a nova vaga de fundos comunitários”.

Marques Mendes não espera “grande história” do debate da Nação. “Portugal saiu do resgate, a economia está em recuperação e o PS em pantanas. Enquanto o PS não resolver o seu problema interno, vai ser um debate tranquilo”.