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Mais de 60 mulheres e raparigas nigerianas raptadas no passado mês de abril pelos militantes do grupo Boko Haram conseguiram fugir dos seus raptores, noticiou esta segunda-feira a agência noticiosa AFP.

Segundo o Huffington Post, as mulheres que agora conseguiram escapar foram raptadas no final de junho da vila de Kummabza, no nordeste da Nigéria. De acordo com Abbas Gava, um vigilante local que tem estado a colaborar com as autoridades nigerianas, as prisioneiras aproveitaram uma oportunidade de fuga na passada sexta-feira.

Depois de os rebeldes terem atacado a cidade de Damboa, houve confrontos entre o grupo islamita e o exército nigeriano na sexta-feira. Foi durante esse ataque que as mulheres fugiram. “Elas tomaram a decisão corajosa quando os seus raptores saíram para levar a cabo uma operação”, disse Gavas, citado pelo Telegraph.

No domingo, cerca de 50 membros do movimento “Bring Back Our Girls” tentaram manifestar-se pela libertação das nigerianas raptadas junto ao palácio presidencial em Abuja, mas foram impedidos pelas forças de segurança.

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“Passaram 83 dias desde que as raparigas foram raptadas”, disse o ativista Aisha Yesufu numa conferência de imprensa depois da tentativa de protesto. “Há 68 dias que falamos sobre isto e ninguém nos ouve e por isso decidimos levar o protesto ao presidente para que ele saiba que ainda aqui estamos”, disse Yesufu, segundo o Telegraph.

O grupo cujo nome significa, numa tradução literal, “a educação ocidental é pecado”, gerou a indignação mundial quando em abril raptou cerca de 276 raparigas, cristãs e muçulmanas, de uma escola em Chibok, no norte da Nigéria.

Essa indignação deu origem a uma campanha internacional nas redes sociais chamada “Bring Back Our Girls”, onde personalidades como Michelle Obama ou David Cameron pediram a libertação das jovens.

Em junho, foram raptadas mais 68 mulheres e crianças. As 63 que agora conseguiram escapar faziam parte desse grupo. Segundo o Independent, o Boko Haram ainda mantém cerca de 220 prisioneiras.

O grupo islamita pediu a libertação de rebeldes e familiares em troca das crianças, mas o Governo nigeriano rejeitou fazê-lo. De acordo com o Telegraph, alguns especialistas em segurança pensam que o exército da Nigéria – sobrecarregado e com poucos recursos – é incapaz de conduzir uma operação contra os insurgentes.

Desde que as forças de segurança nigerianas mataram, em 2009, o fundador e líder espiritual do Boko Haram Mohamed Yusuf, os radicais intensificaram uma campanha sangrenta que já causou mais de três mil mortos.

Nos últimos cinco anos, os rebeldes mataram milhares de pessoas numa campanha para estabelecer um estado islâmico independente no norte da Nigéria, maioritariamente muçulmano. Por essa razão, o estado de emergência está em vigor nessa região.