A comissão sindical do SINTAF no Grupo Espírito Santo (GES) exige que seja dada “informação rigorosa e atempada aos trabalhadores” sobre o que está a acontecer no grupo e no banco e as medidas que poderão ser tomadas. “A comissão sindical do SINTAF, que representa trabalhadores de várias empresas do GES, exige da administração uma informação atempada e rigorosa aos trabalhadores sobre a real situação que se está a viver no grupo e as medidas que estão a ser preparadas”, lê-se no comunicado de imprensa, hoje divulgado.

Os trabalhadores do GES filiados no SINTAF- Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Financeira, afeto à CGTP, dizem que as notícias recentemente vindas a público têm criado “intranquilidade”, agravada também pelo facto de ainda não serem conhecidos os novos acionistas do BES saídos do recente aumento de capital e os impactos que isso terá na instituição.

Segundo a comissão sindical, a eventual entrada de fundos de investimentos ingleses e norte-americanos no capital do banco pode ter impactos diretos nos funcionários, já que, segundo diz, as “práticas nas empresas onde entram são sempre de exigência de planos de reestruturação que levam ao despedimento de milhares de trabalhadores e cortes de direitos”.

A comissão sindical do SINTAF no GES defende ainda que governador do Banco de Portugal venha a público falar sobre o que se passa no grupo, considerando que o supervisor bancário “não pode continuar a invocar questões processuais para não dizer publicamente o que pensa sobre o assunto e quais as medidas que têm vindo a discutir com a administração do banco”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Para o SINTAF as manifestações públicas de Carlos Costa sobre a solidez do BES “não são suficientes”, sobretudo quando ainda não se conhecem as implicações no banco de irregularidades detetadas no grupo e já assumidas. Além dos problemas com que o GES se confronta, nas últimas semanas viveram-se momentos de indefinição sobre a futura gestão do banco e, sobretudo, sobre o sucessor de Ricardo Salgado na presidência executiva do BES.

No sábado, a Espírito Santo Financial Group anunciou que vai propor o economista Vítor Bento (atual presidente da gestora do Multibanco, SIBS) para presidente executivo e João Moreira Rato (atual presidente do IGCP, entidade responsável pela emissão e gestão da dívida pública) para administrador financeiro. O principal acionista do BES, com 25%, aponta ainda o deputado social-democrata e ex-juiz do Tribunal Constitucional, Paulo Mota Pinto, para o cargo de presidente do conselho de administração do banco (‘chairman’).