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Os rebeldes sunitas do Estado Islâmico (ISIS) tomaram o controlo de uma antiga fábrica de armas químicas, situada a noroeste de Bagdad, que armazenava material que ainda contém vestígios de agentes tóxicos. A perda desta antiga unidade de produção e armazenamento foi confirmada através de uma carta que o embaixador do Iraque, Mohamed Ali Alhakim, enviou às Nações Unidas.

De acordo com o The Guardian, na carta, que foi divulgada na terça-feira à noite, o embaixador iraquiano explica que “grupos terroristas armados” entraram na unidade de Muthanna, que entrou em funcionamento depois de Saddam Hussein chegar ao poder (princípio dos anos 80), capturaram os guardas e apoderaram-se das suas armas. Hoje de manhã, o responsável pela unidade assistiu ao saque de alguns equipamentos através do sistema de vigilância que, momentos depois, foi desativado pelos rebeldes.

O embaixador iraquiano considerou que, face aos desenvolvimentos no terreno, “o Iraque não tem atualmente capacidade para cumprir as suas obrigações de destruição” de armas químicas. Mohamed Ali Alhakim acrescentou que a destruição das armas “irá ser retomada assim que a segurança melhorar e o controlo da fábrica for recuperado”. De acordo com a carta do embaixador, os rebeldes saquearam os bunkers 13 e 41. O The Guardian refere que segundo o último relatório da ONU sobre o arsenal iraquiano, escrito em 2003, o bunker 13 armazenava 2500 rockets com gás sarin produzidos antes de 1991, e 180 toneladas de cianeto de sódio, um químico em pó altamente tóxico e percursor do tabun, uma substância tóxica que afeta o sistema nervoso. De acordo com o mesmo relatório, no bunker 41 estavam 2000 rockets com vestígios de gás mostarda e 605 contentores com resíduos deste agente.

O relatório das Nações Unidas recorda que a unidade de Muthanna foi bombardeada durante a primeira guerra do Golfo (1990-1991), que os rockets ficaram “parcialmente destruídos ou danificados” e que as munições de gás sarin ter-se-ão degradado depois de terem ficado tanto armazenadas. O mesmo relatório acrescenta ainda que os contentores de tabun foram tratados com uma solução descontaminante, o que neutralizou o agente químico. Apesar disso, “os resíduos do tratamento podem conter cianetos, o que ainda os torna perigosos”.

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Ao saber da tomada de controlo de fábrica, Washington lamentou o sucedido mas desdramatizou o saque aos dois bunkers. “Não estamos a falar de armas químicas intactas, seria muito difícil, se não mesmo impossível, usá-las para fins militares ou sequer transportá-las”, disse Jen Pskai, porta-voz do Departamento de Estado.

Descoberta atroz a sul de Bagdad

Esta notícia surge no mesmo dia em que as forças de segurança iraquianas encontraram os cadáveres de 53 homens executados a tiros em Hamza al-Gharbi, uma localidade próxima da cidade de Hilla, a capital da província de Babil, no centro do país. Segundo a BBC, os homens tinham as mãos amarradas, os olhos vendados e ferimentos de bala na cabeça e no abdómen. A AFP refere que os primeiros exames indicam que as mortes terão acontecido há pelo menos uma semana.

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Fonte: BBC

Desconhece-se para já a identidade das vítimas, quem terão sido os assassinos ou qual a motivação do crime. A única informação disponibilizada pelas autoridades iraquianas diz respeito às idades: todos os homens tinham idades compreendidas entre os 25 e os 40 anos. Apesar da realização de ataques em Babil durante a ofensiva jihadista que ocupou grande parte dos territórios no norte e oeste de Bagdad no passado mês de junho, a área onde os corpos foram encontrados não é próxima dos sítios onde se têm registado as ondas de violência mais recentes.