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Com certeza que já várias vezes pensou nisto no seu local de trabalho: ‘como é que aquele idiota conseguiu ser promovido (ou, pelo menos, conseguiu receber elogios por um trabalho que até nem foi particularmente bem feito)?’. A pergunta tem uma resposta científica. Investigadores norte-americanos analisaram mais de 140 estudos sobre os comportamentos de pessoas com traços negros de personalidade e concluíram que tais traços, quando presentes de forma leve, podem ser fatores essenciais para uma pessoa ganhar notoriedade no seu trabalho e ser promovida.

Os três traços negros de personalidade que mais têm influência no sucesso laboral são o espírito de manipulação, o narcisismo e uma atitude anti-social, explicaram os investigadores ao Wall Street Journal.

As pessoas manipuladoras têm como principal arma o elogio, que utilizam indiscriminadamente (mesmo quando não se justifica) para convencer e influenciar os outros, o que lhes dá uma vantagem negocial e facilita a formação de alianças. As pessoas narcisistas gostam de ser o centro das atenções: cuidam da aparência e recorrem frequentemente ao charme para transmitir a ideia de prestígio. Para além destas características negativas, estas pessoas têm tendência a causar uma boa primeira impressão e a apresentar as suas próprias ideias com um entusiasmo que não demonstram relativamente às dos outros. Já as pessoas anti-sociais são impulsivas e tendencialmente antagonistas com os outros, o que as leva a testar os seus limites, tendo também tendência para o pensamento criativo.

“Um dos motivos pelos quais as pessoas sobem tão alto na hierarquia das empresas é porque elas são muito enérgicas [forceful, no original]”, explica James D. Ratley, da Association of Certified Fraud Examiners, uma organização norte-americana de combate a fraudes. “É difícil ir a qualquer lado e não encontrar pessoas deste género. Quem consegue falar bem e impressionar os outros vai ser respeitado, pelo menos inicialmente, e colocado em posições de autoridade e liderança sobre os outros”, comenta Toby Bishop, ex-presidente daquela associação.

É por esse motivo que estes traços de personalidade não são considerados ‘negros’ por algumas das pessoas com quem o Wall Street Journal falou. É o caso de Richard Scrushy, ex-presidente da HealthSouth (empresa de serviços de saúde), apontado por Ratley como um exemplo de pessoa manipuladora e persuasiva. “Não se gerem 120 pessoas sendo uma florzinha. Qualquer líder que se digne tem de ser firme. Não creio que seja um ‘traço negro’. É uma qualidade”, defende-se Scrushy, que foi despedido da HealthSouth quando foi descoberta uma fraude contabilística na sua empresa, em 2003.

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