País

Problemas sociais graves são os mesmos há 40 anos: pobreza, desemprego e envelhecimento

Pedro Marques, ex-secretário de Estado da Segurança Social, afirmou que “o desemprego e falta de qualidade do emprego” são os principais problemas sociais atuais.

Auditório da Gulbenkian.

Autor
  • Fábio Monteiro

Os problemas sociais continuam a ser os mesmos. Há 40 anos, pelo menos. Mariana Ribeiro, presidente do Instituto de Segurança Social, pesquisou nos debates parlamentares da Assembleia da República e chegou a esta conclusão. Hoje falamos de “problemas complexos”, denominação cunhada em 1973 por Rittel e Webber, mas eles continuam a ser os mesmos: pobreza, desemprego, envelhecimento e a dicotomia litoral-centro do país.

“Problemas que se caracterizam pela dificuldade de definição”, afirmou, lembrando a especificidade do problema individual de cada cidadão, na conferência internacional “Problemas Sociais Complexos: Desafios e Respostas”, que decorre nesta sexta-feira e sábado, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. De acordo com a presidente do Instituto de Segurança Social, cada problema tem uma “dependência do território a que estamos a olhar” e “não os é possível hierarquizar” devido a isso. “São situações muito heterogéneas”, afirmou. Relativamente ao modelo da rede social, criado em 1997, afirmou que este “não está esgotado, mas tem de ser atualizado.”

Já Pedro Marques, deputado do Partido Socialista na Assembleia da República e ex-secretário de Estado da Segurança Social, afirmou, quando questionado pela plateia, que “o desemprego e falta de qualidade do emprego” são os principais problemas sociais atuais, dando o exemplo da emigração nos jovens, em particular. Durante a apresentação, o ex-secretário de Estado falou principalmente do papel do Estado, “o detentor de muitos dos recursos”, na governação integrada, referindo que a partilha de objectivos com outras instituições também é “uma partilha de poder”.

Por isso, Pedro Marques, responsável durante o seu mandato pela implementação da rede social, também falou da “dificuldade de partilha de objectivos”, mesmo entre ministérios e a existência comum de “resistência à mudança”. Quanto ao Conselho Económico e Social, afirmou que este era “excessivamente liderado pelo Governo”.

Rita Valadas, administradora executiva do departamento de Acção Social da Santa Casa da Misericórdia, não deixou passar a deixa do ex-secretário de Estado sobre a rede social, e lembrou que esta foi regulamentada porque “houve uma oportunidade para ir buscar dinheiro”, lembrou. A representante da Santa Casa também anunciou a inauguração, em setembro, de uma casa para a população sem-abrigo, fruto do trabalho colaborativo de “30 e tal” organizações que trabalham com aquela população.

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