O Campeonato do Mundo tem encantos mil. Entre verdadeiros contos de fadas, batalhas épicas e conquistas (im)prováveis, um dos hobbies irresistíveis desde desporto é esmiuçar os futebolistas que foram dignos de receber prémios. A escolha de Lionel Messi para melhor jogador da Copa surpreendeu meio mundo (ou todo), tanto que nem Diego Maradona foi na cantiga. Manuel Neuer foi eleito o melhor guarda-redes, enquanto Paul Pogba mereceu a distinção de benjamim do torneio. Por último, James Rodríguez imortalizou o seu nome como o máximo goleador do Mundial-2014, com seis golos.

O Observador decidiu mergulhar de cabeça nos arquivos empoeirados para tentar perceber se há tendências, padrões ou curiosidades. Ou até se há países com queda para vencer certos prémios. Em 2014, os galardões pingaram para quatro países. Mas contextualizemos: o prémio para melhor jovem só surgiu em 1958, quando Pelé espalhou magia no Mundial da Suécia. O craque do torneio só começou a ser distinguido em 1978, altura em que Kempes brilhou no Mundial organizado pela Argentina.

A Bola de Ouro gosta de se pintar de albiceleste

Um argentino. É assim que tudo começa. Em 1978, pela primeira vez, a FIFA pediu a um grupo de jornalistas que, findo o Mundial, escolhessem o jogador que mais brilhou. O melhor, portanto. E aí, a honra coube a Mario Kempes. Com 23 anos, o prémio foi para o argentino que, com seis golos marcados, conduziu a sua seleção até à conquista do Mundial.

Em 1986, no México, foi a vez do génio encurralado no corpo de Diego Maradona. 2-0, para a Argentina. Agora, em 2014, a distinção coube a Lionel Messi, dando pela primeira vez o troféu a um argentino que não conseguiu vencer o Mundial. Mesmo assim, em Bolas de Ouro, há um 3-0 para os albicelestes. Ou melhor, um 3-2-2, porque já houve dois italianos e dois brasileiros a levaram a Bola de Ouro para casa. Paolo Rossi (1982) e Salvatore Squillaci (1990), ambos avançados, conseguiram-no quando ambos tinham 25 anos de idade.

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Depois, foram os brasileiros. Romário, em 1994, foi o último a conseguir vencer o Mundial e ser eleito o melhor jogador da prova. Em 1998, Ronaldo perdeu na final (contra a França), mas, com 21 anos, foi o mais novo de sempre a ser o melhor de uma Copa. E o mais velho? Bem, esse fala francês, chama-se Zinedine Zidane e venceu o galardão em 2006.

Golos e mais golos desde 1930

Alemanha e Brasil lideram neste capítulo, cortesia de Leônidas (1938), Ademir (1950), Gerd Müller (1970), Ronaldo Fenómeno (1998), Klose (2006) e Thomas Müller (2010). Este último voltou a dar nas vista em 2014, ao marcar cinco golos, a somente um de James Rodríguez. Já Klose converteu-se no rei do golo: ultrapassou os 15 golos do brasileiro Ronaldo e fixou a marca nos 16. Esta gente sabe como marcar golos. A tal lengalenga de Gary Lineker — 11 vs. 11 e no fim ganha a Alemanha — tem a sua piada, mas há coisas que não acontecem por acaso.

O primeiro pichichi da história, em 1930, no Uruguai, foi o argentino Guillermo Stabile, com oito golos. Portugal tem um representante nesta elite do pé afinado: Eusébio foi o melhor marcador do Inglaterra-66, com nove golos, no qual os Magriços apenas caíram nas “meias” contra a equipa da casa.

Enquanto há jogadores que vão marcando ao longo da competição, há um que ficou na história por conquistar este prémio praticamente com um jogo. Falamos de Oleg Salenko, em 1994. O Estádio Stanford, em Palo Alto, recebia a Rússia e os Camarões para a última jornada da fase de grupos. Salenko decidiu dar um concerto a solo e marcou cinco no 6-1 contra os africanos. O russo já tinha marcado um na derrota contra a Suécia de Ravelli e Brolin (1-3), o que lhe bastou para se tornar no artilheiro do torneio.

Ser jovem e brilhar, uma lição alemã

Correndo o risco de cair na repetição: há coisas que não acontecem por acaso. A Alemanha renovou-se e mudou a estratégica do seu futebol depois do desastre do Euro-2000. Desde então tem sido um fartote de craques a brotar na Bundesliga. Uma prova é a dupla conquista neste capítulo em 2006 (Podolski) e 2010 (Thomas Müller).

A primeira vez dos alemães aconteceu em 1966. Franz Beckenbauer, o senhor que levantaria a taça em 1974, foi eleito o jovem mais talentoso do torneio. O Kaiser, que ainda não o era, perdeu a final contra a Inglaterra com apenas 18 anos de idade.

Este prémio começou a ser entregue em 1958, porventura uma oferta divina para premiar o génio de Pelé,curiosamente  o único brasileiro da lista. Cubillas, que passou pelo FC Porto entre 1973 e 1977, conquistou esta distinção em 1970. Em 2014, Paul Pogba foi o benjamim da Copa, imitando assim o seu compatriota Manuel Amoros em 1982. Depois de ser eleito o melhor jogador do Campeonato do Mundo sub-20 de 2013, o médio da Juventus continua a deixar a sua marca.

Um belga levou o primeiro prémio com luvas

Belgian goalkeeper Michel Preud'homme jumps into the arms of teammate Philippe Albert, wearing Dutch player Wim Jonk's jersey, following Belgium's 1-0 victory over Holland during the World Cup match, on June 25, 1994, at the Citrus Bowl in Orlando.        (Photo credit should read VINCENT AMALVY/AFP/Getty Images)

Defender a baliza. Sempre houve um homem com esta missão. Só em 1994, contudo, é que a FIFA tirou um troféu da gaveta para recompensar o melhor guarda-redes de um Mundial. Batizou-o como o nome de Lev Yashin, a “aranha negra” — assim apelidado por se vestir sempre de preto –, guardião russo que participou em três Copas (1954, 1958 e 1966).

E, por enquanto, as primeiras mãos a agarrarem-se ao troféu foram as mais velhas a fazê-lo. A honra coube aos 35 anos de Michel Preud’homme, guarda-redes belga que, após o Mundial, até se transferiu para o Benfica. Quatro anos depois, Fabian Barthez seria o mais novo (27 anos) a consegui-lo, numa lista onde ainda surgem Oliver Kahn (2002), Gianluigi Buffon (2006), Iker Casillas (2010) e, agora, Manuel Neuer (2014).