A Universidade de Évora (UÉ) fixou em 4000 euros o valor da propina para o estudante internacional, revelou esta segunda-feira a reitora, explicando que a academia vai procurar captar alunos dos países lusófonos e da América Latina. “Começámos agora uma campanha direcionada para estudantes internacionais e, primeiro, vamos dirigir-nos à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), nomeadamente ao grande mercado que é o Brasil, e aos países da América Latina”, disse a reitora da UÉ, Ana Maria Costa Freitas.

Em declarações à agência Lusa, a reitora explicou que, depois, será feita “uma avaliação gradual” para detetar “quais os outros países” a que a UÉ poderá chegar, “aos poucos, para captar mais estudantes”. Contudo, atendendo a que a atual equipa reitoral só está em funções desde maio, este trabalho não ambiciona atingir resultados a curto prazo, para o próximo ano letivo.

“Estamos muito em cima e não penso que este ano [2014/2015] tenhamos muitos estudantes internacionais, mas é uma janela de oportunidade e vamos ter que trabalhar, no ano seguinte, para conseguirmos ter mais” alunos de fora da União Europeia, argumentou. A reitora revelou que a propina estabelecida pela academia para os estudantes internacionais, por proposta da anterior reitoria, que teve depois de ser ainda aprovada em Conselho Geral da universidade, foi fixada em 4000 euros.

O Estatuto do Estudante Internacional foi publicado em Diário da República em março, passando a permitir às instituições de ensino superior captar alunos estrangeiros.

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Um valor que teve em conta duas preocupações: “Por um lado, podermos ter uma propina que não é excessivamente alta, mas que, por outro, cobre os custos dos alunos, na sua maioria”, frisou. “O objetivo passa por termos mais alunos, porque a propina é ligeiramente mais baixa” do que noutras universidades portuguesas, e, “ao mesmo tempo, é um valor que não nos prejudica se tivermos uma distribuição equitativa dos alunos pelos vários cursos”, vincou.

O Estatuto do Estudante Internacional foi publicado em Diário da República em março, passando a permitir às instituições de ensino superior captar alunos estrangeiros e cobrar-lhes propinas mais elevadas a partir do próximo ano letivo. O decreto-lei estabelece as regras para a captação de estudantes estrangeiros, criando um regime especial de acesso para licenciaturas e mestrados integrados para quem queira prosseguir os estudos em instituições portuguesas.

O diploma produz efeitos a partir do próximo ano letivo, altura em que as instituições poderão realizar um concurso especial de acesso e ingresso ao qual podem concorrer todos os alunos “que não têm nacionalidade portuguesa”. Os estudantes admitidos através deste novo regime não serão considerados no âmbito do financiamento público das instituições de ensino superior, podendo as universidades ficar “propinas diferenciadas”. A título de exemplo, também as Universidades de Lisboa e de Coimbra já fixaram propinas para o estudante internacional, tendo ambas ficado um valor de sete mil euros.