O Banco BPI registou resultados negativos de 106,6 milhões de euros durante os primeiros seis meses de 2014. A instituição justifica este desempenho com as menos-valias que teve de assumir com a venda de títulos de dívida pública portuguesa e italiana, segundo um documento divulgado pela instituição financeira nesta quarta-feira. Entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, o banco revelou que os prejuízos baixaram de 104,8 milhões de euros para 1,8 milhões. Nos primeiros seis meses de 2013, o BPI apresentou lucros de 58,9 milhões de euros.

Os resultados foram afetados pelas menos-valias daqueles investimentos em dívida soberana, num total de 102 milhões de euros, mas também pelos custos com os CoCo, obrigações subordinadas de conversão contigente que correspondem aos apoios de recapitalização concedidos pelo Estado, que foram de 26,7 milhões de euros. O BPI procedeu, já em junho, ao reembolso total destas ajudas. Dos 1,5 mil milhões de euros recebidos pelo banco, 920 milhões foram devolvidos aos cofres públicos no primeiro semestre de 2014.

Os números do primeiro semestre indicam que os custos recuaram 2,7 milhões de euros, os recursos totais de clientes cresceram mil milhões de euros, ao variarem 3,3%, enquanto a relação entre os depósitos e o crédito concedido, o “rácio de transformação”, ficou em 92%. Quanto ao rácio de crédito em risco fixou-se em 5,4% e a cobertura de imparidades chegou ao final de junho em 83%.

De janeiro a junho, o produto bancário do BPI desceu para 328,6 milhões de euros, uma queda de 255 milhões em comparação com o mesmo período de 2013. A atividade internacional, sobretudo a que foi registada em Angola, contribuiu com resultados positivos de 49,5 milhões de euros para o balanço do primeiro semestre deste ano, revelam os documentos divulgados pelo banco.

No final do primeiro semestre de 2014, o banco tinha em carteira mais de 4,4 mil milhões de euros em títulos de dívida emitida pelo Tesouro português e 564 milhões em emissões do Estado italiano. Nestes investimentos, as menos-valias potenciais, incluindo os títulos e as aplicações em produtos derivados destinados a assegurar a cobertura de taxas de juro, eram de 54 milhões de euros e 17 milhões de euros, respectivamente.