Os filmes baseados nas crenças religiosas estão a render milhões às distribuidoras de cinema. A fé é um dos temas que está a captar mais audiência e já é um género em si mesmo, como explica a crítica de cinema Shawn Robbins ao The Guardian. “Há 30 anos, a televisão e o cinema trabalhavam para agradar a toda a gente. Hoje podemos atingir um pequeno nicho de audiência com muito mais eficácia.” Shawn Robbins explica o fenómeno. “As campanhas de marketing baseadas nos ‘filmes de fé’ estão por todo o lado. Os fiéis que procuram por algo que lhes falta na vida é uma das ideias mais difundidas nos enredos, e resulta”. As mensagens dos filmes podem ajudar à vida espiritual das pessoas, “tanto ou mais do que ir a uma igreja”, aponta.

O mesmo artigo do Guardian cita o livro de Paul Schrader, Transcendetal Style in Film, no qual consta uma frase do realizador de épicos bíblicos dos ano 30 e 40 Cecil B. de Mille: “dêem-me quaisquer duas páginas da Bíblia e eu dou-vos um filme”. E ao longo dos anos, várias foram as obras de maior ou menor qualidade que pegaram em temas bíblicos e religiosos — tradicionalmente com estreia cinematográfica e televisiva próxima das épocas de páscoa ou natal. Nos Estados Unidos o fenómeno tem público fiel e audiência garantida, desde que o tema de base seja o cristianismo tradicional. Na Europa secularizada o fenómeno tem muito menor dimensão, mas ainda assim estas são obras globais que atingem lucros quase transcendentes. Só em 2014 há quatro títulos a merecer a distinção nota de destaque:

Son of God (Tradução: Filho de Deus) conta com a participação do português Diogo Morgado. Depois do sucesso da série A Biblía, chegou o filme que mostra a história de vida de Jesus desde o nascimento até à crucificação e à ressurreição. O filme já rendeu 67 milhões de dólares (50 milhões de euros) e estreou em Portugal a 27 de março.

Noah (Tradução: Noé) estreou em Portugal a 10 de abril. Na película, um homem é escolhido pelo criador do mundo para realizar uma missão, antes que uma inundação limpe o mundo. O filme realizado por Darren Aronofsky já faturou 359 milhões de dólares em receitas (cerca de 270 milhões de euros) e será uma das maiores superproduções do ano.

Heaven is for real (Tradução: O céu existe mesmo), que estreou em Portugal a 1 de maio, retrata todas as mudanças desencadeadas numa família quando o filho mais novo diz que esteve no céu durante uma experiência próxima da morte. O enredo já soma 91 milhões de dólares (cerca de 68 milhões de euros) em receitas.

God is not dead (Tradução: Deus não está morto), ainda sem data prevista de estreia em Portugal, é a história de um professor de filosofia que sente as suas convicções desafiadas quando um dos seus alunos, Josh, tenta convencê-lo de que Deus existe. A trama tem conquistado espetadores que, no total, já valeram 60 milhões de dólares (45 milhões de euros).