O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, afirmou hoje que o país “não pode estar descansado” com o vírus do Ébola nos países vizinhos, pelo que é preciso reforçar a vigilância e sensibilizar a população.

Em declarações aos jornalistas no final de uma série de visitas a várias instituições públicas e ao mercado principal de Bissau, Domingos Simões Pereira defendeu que o facto de o Ébola ainda não ter chegado ao país não pode significar que se deve descurar.

“É óbvio que quando os países ao nosso redor como a Guiné-Conacri, Serra Leoa e outros, já têm níveis de presença desses flagelos, a Guiné-Bissau não pode estar descansada (pensando) que não corre riscos”, notou o primeiro-ministro guineense.

A doença ainda não chegou à Guiné-Bissau mas Domingos Simões Pereira quer toda sociedade mobilizada e a comunicação social a ajudar na sensibilização da população.

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“A preocupação vai no sentido de elevar o alerta, a mobilização de todos”, frisou. Questionado pela Agência Lusa sobre onde vai arranjar os 600 mil euros necessários para executar um Plano de Contingência contra o vírus do Ébola, o primeiro-ministro guineense manifestou-se otimista.

“Isso não será problema. A Guiné-Bissau vai estar em condições de aprovisionar esse valor”, defendeu Domingos Simões Pereira que já está em contacto com os parceiros do país para a mobilização da quantia em causa. Segundo o diretor-geral da Prevenção e Promoção da Saúde Pública, Nicolau Almeida, o país necessita de 60 mil euros para financiar a execução de um plano de contingência, elaborado pelo Ministério da Saúde Pública em colaboração com instituições das Nações Unidas, nomeadamente a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), bem como os serviços de proteção civil guineense.

Portugal anunciou uma oferta de 15 toneladas de medicamentos de prevenção do Ébola e outras epidemias, mas esse carregamento ainda não chegou à Guiné-Bissau. Domingos Simões Pereira, que fez o anúncio da oferta há dias, justificou o atraso com questões ligadas ao transporte.

“Temos estado em contactado com os nossos parceiros portugueses, que nos têm dito que é um problema de transporte e quero acreditar que nos próximos dias teremos indicações sobre a chegada desses medicamentos”, concluiu. A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, pediu hoje à comunidade internacional que ajude os países afetados a combater a epidemia de Ébola, a pior em quatro décadas.

Em conferência de imprensa, Chan afirmou que os países da África Ocidental mais atingidos pela epidemia – Libéria, Serra Leoa, Guiné-Conacri e Nigéria – “não têm meios para responderem sozinhos” à doença e pediu “à comunidade internacional que forneça o apoio necessário”. Desde março, a epidemia já matou 961 pessoas e infetou mais de 1.700. O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com o sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados.