O ex-ministro das Finanças, Eduardo Catroga, elogia a solução encontrada para o BES (dividido entre banco bom e banco mau), mas considera que ainda existem várias “áreas nebulosas” como o crédito do BES ao BESA de 3,3 mil milhões de euros, que constitui um ativo do Novo Banco, e que considera ter dúvidas se seja “um ativo com risco ou sem risco”.

As declarações foram feitas em entrevista na SICN, terça-feira à noite, no mesmo dia em que fonte oficial do Banco de Portugal garantiu na terça-feira que o empréstimo passou totalmente provisionado para o Novo Banco.

O social-democrata e conselheiro de Passos Coelho defendeu ainda que a nova administração do Novo Banco “deve criar um clima de confiança interno e externo para atrair pretendentes à aquisição e maximização do valor do banco”, lembrando, contudo, que “o valor dos bancos no sul da Europa é inferior ao valor contabilístico”.

O valor de venda “vai depender de vários fatores: clima de confiança, grau de recuperação económica em 2015, amortecimento do efeito negativo desta amortização na riqueza”, disse.

Segundo Catroga, “a história do processo do GES ainda está por contar e por avaliar as responsabilidades a nível do grupo e dos reguladores”. Sobre eventuais falhas de supervisão, disse que “existem sempre casos e é preciso tirar ilações, como aperfeiçoar as metodologias de supervisão”. “É uma evidência que não era um sistema perfeito, como não era na Irlanda, Alemanha e EUA”, acrescentou.

Quanto ao empréstimo de 3,5 mil milhões de euros do Banco de Portugal (BdP) ao BES, de que se soube este domingo devido à divulgação de uma ata do conselho de administração do banco, Catroga defendeu essa intervenção. “Acontece na medida em que pode-se presumir que houve grandes levantamentos de depósitos do banco, problemas de liquidez e sem acesso a financiamento do BCE. Banco de Portugal agiu como financiador de último recurso”, afirmou, considerando normal o facto de esse empréstimo não ter sido divulgado no momento em que ocorreu. “Essas movimentações não são publicitadas para não criar situações de pânico”, justificou.

O vice-presidente do PSD, José Matos Correia, por sua vez, criticou, também na SICN, a divulgação da ata. “Se a ata era para ser pública, devia tê-lo sido mas não desta maneira”, afirmou, acrescentando que “a cedência de liquidez a bancos está regulado e pode ser feito pelo BdP”.

O dirigente do PSD considerou, sobre este caso, que “é o BdP que tem que dar esclarecimentos e não o Governo ou o Ministério das Finanças”. Matos Correia levantou, no entanto, uma dúvida: “Eu teria preferido que o BdP tivesse dito quais foram as garantias dadas pelo BES para esse empréstimo”.