Uma febre hemorrágica para a qual ainda não há cura nem vacina e que se transmite por contacto direto do sangue, secreções, órgãos ou fluidos corporais. Mais de mil pessoas já foram vítimas destes sintomas e acabaram por morrer.

O vírus Ébola atinge quatro países da África ocidental – Guiné-Conacri, Libéria, Nigéria e Serra Leoa – e está a levar muitos outros a adotarem medidas de prevenção. Em Portugal, o ministro da Saúde anunciou esta quinta-feira que há condições para lidar com o eventual aparecimento do Ébola. Em Cabo Verde, um navio proveniente da Serra Leoa foi posto em quarentena e São Tomé já pediu ajuda à Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Portugal para impedir que o vírus atinja o país.

Em Portugal:

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, garantiu esta quinta-feira que Portugal está preparado para lidar com o aparecimento de casos de Ébola. A conclusão surgiu na sequência de um exercício do INEM que testou os procedimentos e os equipamentos específicos em caso de infeção.

O INEM simulou o transporte de um mulher de 28 anos, que estaria na Serra Leoa. A mulher foi transportada numa espécie de casulo, segundo a Lusa, para não infetar a tripulação e foi depois transortada para o Hospital Curry Caral, a unidade de referência para o ébola, em Lisboa.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, que acompanhou a operação juntamente com o diretor-geral de Saúde, Francisco George, garantiu que os portugueses “podem ter confiança” no dispositivo montado, na prevenção que está a ser feita, na ligação com a Organização Mundial de Saúde, em termos de instruções globais, nos equipamentos e no transporte de eventuais doentes, nos hospitais e em toda a parte de resposta laboratorial e de coordenação que está a ser feita.

“Uma mensagem de confiança e de estarmos preparados para casos que possam ocorrer”, sublinhou Paulo Macedo.

Especificamente sobre os hospitais, referiu terem “meios suficientes”, lembrando que o tratamento está centralizado em três unidades – São João (Porto), Estefânia e Curry Cabral – todos com condições de tratamento e de isolamento, em quartos de pressão negativa.

“Temos feito alguns ensaios e esta é apenas uma demonstração dos meios específicos adquiridos pelo INEM, um equipamento que permite o isolamento total e que pode ser usado no caso do ébola mas também nos casos de outras doenças infecciosas como a tuberculose multirresistente”, acrescentou.

Em São Tomé:

O governo de São Tomé e Príncipe ordenou ao ministério da saúde que solicite a peritagem e especialistas a Portugal e à Organização Mundial da Saúde (OMS) para lidar o doença de Ébola, indica um comunicado do governo.

“O ministério da Saúde e Assuntos Sociais deve encetar diligências junto dos nossos parceiros de desenvolvimento para solicitar peritagem e especialistas sobre a doença, nomeadamente a OMS e a Direção Geral de Saúde de Portugal”, refere um comunicado do Conselho de Ministros.

O diretor dos Cuidados da Saúde, Pascoal de Apresentação, afastou quarta-feira a possibilidade do país encerrar a fronteira marítima com os países vizinhos, onde o vírus do Ébola está a afetar várias pessoas. No entanto, admitiu redobrar o sistema de vigilâncoa “sobretudo ao nível dos passageiros que entram no nosso país provenientes de outros países da nossa sub-região”.

O governo refere também que uma equipa de peritos da OMS “está a caminho de São Tomé e Príncipe para apoiar as autoridades sanitárias nacionais no estabelecimento de um plano de prevenção da epidemia de Ébola”.

O comunicado refere ainda que o governo decidiu criar um “cordão sanitário” nos portos e aeroportos do arquipélago com vista a prevenir a epidemia de Ébola. O conselho de ministros que reuniu de “emergência e em sessão extraordinária” optou igualmente pela “identificação urgente de um espaço de isolamento para tratamento de possíveis casos de doentes suspeitos ou portadores da doença”.

Em Cabo Verde:

A ministra da Saúde cabo-verdiana confirmou a existência de um navio proveniente da Serra Leoa de quarentena na ilha de São Vicente, para despistar a entrada do Ébola,

“O barco saiu há menos de 21 dias da Serra Leoa e, neste caso, pusemo-lo de quarentena para terminar os 21 dias e termos a certeza sobre as suas condições”, confirmou Cristina Fontes Lima.

A ministra da Saúde cabo-verdiana, que falava aos jornalistas na Cidade da Praia, no início de uma formação sobre o Ébola, adiantou que o navio já foi visitado pelas autoridades de saúde do país, que confirmaram que não havia ninguém com sintomas de Ébola.

“Mas, pelo sim, pelo não, vamos esperar completar os 21 dias para o barco poder ser liberado”, prosseguiu a governante, que voltou a insistir na necessidade de vigilância em todas as fronteiras do país, porque “o risco é moderado, mas o perigo é real” e igual aos outros países.

“Desde março que tomamos as medidas que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou e, em muitos casos, fomos além de certas situações. Agora, estamos a reforçar as formações e a alarga-las”, indicou, afirmando que não vale a pena entrar em pânico.

“Um Estado soberano pode tomar qualquer medida, desde que seja adequada e não ponha em causa o próprio Estado. Cabo Verde é um país arquipelágico e se fechar fronteiras teria dificuldades em aceder a laboratórios e equipamentos”, concluiu a ministra.

O navio, de bandeira chinesa, chegou em São Vicente no dia 5 de agosto, tendo sido decretada uma quarentena de 21 dias, tempo máximo de incubação do vírus Ébola, a contar da data da saída da embarcação da Serra Leoa a 31 de julho até 21 de agosto.