António Tomás Correia, o presidente do Montepio, reagiu no noticiário da TVI à auditoria do Banco de Portugal, que, segundo o próprio, já estava agendada desde 30 de outubro. Para o líder do banco este é um “procedimento de rotina, normal e desejável”. E recorrente desde que a troika chegou a Portugal em 2011.

Quando questionado sobre se a auditoria visa averiguar e confirmar que os créditos concedidos possam resultar em perdas, o presidente da instituição bancária foi peremptório: “Nada disso. O que está em causa na auditoria é apenas uma avaliação de procedimentos, através de uma amostragem de créditos selecionados pelo Banco de Portugal”. “Na maioria são créditos à habitação”, disse o presidente do banco.

O jornal de Negócios confirma esta terça-feira que a auditoria incide sobre uma amostra de cerca de 60 contratos de crédito concedido entre 2009 e 2012, onde se incluem de facto créditos à habitação a clientes particulares e financiamentos a empresas de promoção imobiliária, com o objetivo claro do Banco de Portugal de supervisionar as práticas de concessão de crédito, mas também de governação da instituição, para avaliar se as relações comerciais cruzadas dentro do próprio grupo são as corretas e se a hierarquia de decisão é respeitada.

O presidente do Montepio confirmou ainda que a exposição do banco ao grupo GES e BES é de 150 milhões de euros, negando assim a notícia do Público de 19 de julho, que dizia que a exposição ascendia aos 200 milhões. E mantém-se confiante de que os empréstimos ao Grupo Espírito Santo serão reembolsados. “Não aceito que venha a ter perdas com o GES. Todas as operações que estão em causa não nos oferecem dificuldades neste momento. Lidaremos com esta situação como lidamos com todos os créditos que concedemos. Hoje é normal lidar com incumprimentos, há famílias e empresas que não cumprem”, disse Tomás Correia.

Quanto à eventualidade de a imagem do banco sofrer algum dano, o presidente mostrou-se tranquilo. “Não houve qualquer acesso anormal dos nossos clientes aos balcões, nem qualquer anormalidade nos nossos canais alternativos. Tivemos um dia completamente normal”, afirmou. E os clientes, esses, “podem estar descansados. O Montepio é um grupo muito bem capitalizado e está muito bem provisionado. Posso dizer que o crédito em incumprimento tem mais de 130% de provisões constituídas”, assegurou.

Filho de José Guilherme é accionista do banco comercial do Montepio

Esta terça-feira, o jornal Público noticia ainda que Paulo Guilherme, filho o construtor José Guilherme que pagou comissões ao ex-presidente do BES Ricardo Salgado no valor de 14 milhões de euros, é um dos investidores e accionistas ‘indiretos’ da Caixa Económica Montepio Geral – o banco comercial do grupo mutualista Montepio.

Paulo Guilherme detém assim 9% do Fundo de Participação Caixa Económica Montepio Geral, que é como quem diz 18 milhões de Unidades de Participação que estão por detrás da criação do Fundo, que hoje possui cerca de 11,75% da Caixa Económica, e que foi criado em dezembro para ajudar a reforçar o capital daquele banco comercial do Montepio.

Para além do filho de José Guilherme (conhecido por ‘Zé Grande’), o Fundo da Caixa Económica tem também como segundo investidor Eurico Brito, angolano, que detém 10 milhões de títulos de participação.