Já foi de férias neste verão? É daquelas pessoas que acumula as preciosas folgas sem chegar a usá-las? Talvez tenha muito trabalho entre mãos ou, então, tem receio de perder o emprego. A razão mais comum para que as pessoas não tirem férias, diz o Huffington Post, é porque possuem aquilo a que investigadores chamam de complexo de “mártir”: acreditam que ninguém consegue fazer melhor aquele trabalho do que elas. Qualquer que seja o caso, a publicação faz o aviso, “por favor, tire férias”. Os motivos que sustentam a afirmação são vários e baseiam-se em estudos já publicados.

O facto de os colaboradores de uma empresa terem intervalos faz com que estes regressem ao trabalho com mais energia. Quem o diz é Tony Schwartz, o chefe executivo do The Energy Projetc, citado pelo jornal em questão. Ele apoia-se num estudo realizado por investigadores da Universidade do Estado de Flórida, o qual teve em conta o desempenho de atletas de elite, músicos e jogadores de xadrez. Feitas as devidas análises, descobriu-se que as performances com melhores resultados eram realizadas em intervalos de 90 minutos — os intervenientes faziam ainda pausas frequentes e quase nunca trabalhavam mais de quatro horas e meia por dia.

Permitir que o cérebro divague, ao contrário do que se possa pensar, é positivo e ajuda a estimular a criatividade e a resolver problemas — o jornal cita Daniel J. Levitin, diretor do Laboratório de Perceção, Cognição e Conhecimento Musical na Universidade McGill, que garante que um cérebro mais descansado é capaz de proporcionar “momentos de grande criatividade e visão”.

Já as férias curtas, e repetidas, podem ser mais benéficas do que apenas um longo período de pausa. A Universidade Erasmus, em Roterdão (Holanda), descobriu que, de cerca de 1500 adultos, 974 deles tiravam férias e, consequentemente, eram mais felizes — ficavam entusiasmados com a ideia de ir de férias e mostravam sinais positivos até duas semanas depois do regresso. O mesmo poderá aplicar-se a quem desempenha cargos de chefia. Jennifer Deal, investigadora no Centro de Liderança Criativa , disse ao The Wall Street Journal que quando os chefes tiram um tempo para descansar regressam ao trabalho com mais criatividade entre mãos e são capazes de pensar no futuro da empresa a longo prazo.

O Huffington Post aborda ainda mais um estudo da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA  que conclui que as experiências multiculturais ajudam a fomentar a criatividade e a gerar ideias — mas isto não se aplica quando se está a trabalhar no estrangeiro. Posto isto, está à espera de quê? Se calhar o melhor é mesmo ir de férias.