A poucos dias do arranque da campanha da azeitona, a trovoada e a queda de granizo provocaram prejuízos em olivais do concelho de Alfândega da Fé, distrito de Bragança, identificou, esta terça-feira, a cooperativa agrícola do concelho.
À Lusa, o presidente da cooperativa agrícola de Alfândega da Fé, Luís Jerónimo, adiantou que a queda de granizo, ao final do dia de domingo, provocou prejuízos nos olivais da vila, mas também do sul do concelho, em aldeias como Eucísia e Valverde.
Este fenómeno, segundo Luís Jerónimo, fez cair azeitona ao chão e “há fruto em cima da árvore que vai ficar marcado”, podendo “comprometer a qualidade do produto”.
As previsões apontam para “um bom ano” de produção de azeitona, com uma quantidade superior à do ano anterior, mas, para o presidente da cooperativa agrícola, “se continuarem estas trovoadas, começa o fruto a desaparecer”.
José Carlos Pimentel foi um dos agricultores afetados. Com 10 hectares de olival na freguesia de Eucísia, disse à Lusa que cerca de 10% da azeitona que estava na árvore caiu ao chão devido ao granizo. “A azeitona cai bastante ao chão. Já com o problema da seca, e agora com a pedra, acabou de cair”, lamentou.
O produtor diz que ainda é “um pouco difícil” de quantificar os estragos, mas garantiu que a azeitona que caiu ao chão está “perdida”, visto que não pode ser apanhada para produção. “Afeta também a azeitona que fica, fica pedrada, mas o maior prejuízo é a que tomba”, afirmou, tendo a expectativa de que a que está na árvore ainda se “aguente”, embora “danificada”.
A queda de granizo afetou essencialmente o concelho de Alfândega da Fé. A Lusa contactou várias associações agrícolas do distrito que disseram não ter havido queda de granizo, nomeadamente em concelhos como Carrazeda de Ansiães e Mirandela.
A campanha da azeitona deverá arrancar na segunda quinzena de outubro. O presidente da APPITAD – Associação de Agricultores de Portugal, Francisco Pavão, já tinha revelado, à Lusa, que se espera colher mais 15% de azeitona do que em 2025, estando a chuva a ser benéfica para as oliveiras, que estavam em stress hídrico.
Segundo a APPITAD – Associação de Agricultores de Portugal, no ano passado, em Trás-os-Montes foram colhidas quase 84 mil toneladas de azeitona, que renderam 13 mil toneladas de azeite.