Numa semana em que tem sido acusada de saber de um maiores escândalos de corrupção do Brasil, Dilma Rousseff distancia-se das acusações e diz ter demitido Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás e líder do esquema de lavagem de dinheiro e tráfico de influências, por não ter “afinidade com ele”. Marina Silva, a maior opositora de Dilma nestas eleições, diz que o PT – partido de Dilma e Lula da Silva – “não é confiável”. O PT diz que vai processá-la.

O escândalo de corrupção protagonizado por Paulo Roberto Costa está a abalar as eleições brasileiras e depois de envolver políticos (deputados federais, governadores e ministros) de vários quadrantes, foi lançada a suspeita que Dilma saberia da fraude e por isso é que o teria demitido em 2012, depois de vários anos como diretor de abastecimento da empresa pública de energia. Numa sessão de perguntas e respostas promovidas pelo jornal O Globo, Dilma disse não saber de qualquer fraude quando o demitiu, esclarecendo que o crime foi descoberto pela polícia.

“Há corrupção em todas as empresas públicas ou privadas. A Petrobras tem órgãos internos e externos de controle. Mas quem descobriu foi a Polícia Federal. Se eu tivesse sabido qualquer coisa sobre o Paulo Roberto, ele seria demitido e investigado. Eu tirei o Paulo Roberto com 1 ano e 4 meses de governo. Eu não sabia o que ele estava fazendo. Eu tirei, porque não tinha afinidade nenhuma com ele”, diz Dilma ao Globo.

Entre outras figuras da política brasileira, e em busca de redução de pena, Paulo Roberto Costa — a quem Lula chamava “Paulinho” — já denunciou a governadora Roseana Sarney (Maranhão), os ex-governadores Sérgio Cabral (Rio) e Eduardo Campos (Pernambuco), o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão; os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e Ciro Nogueira (PP-PI), e os deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Cândido Vacarezza (PT-SP), Mário Negromonte (PP-BA) e João Pizzolatti (PP-SC), segundo revela O Globo. A polícia suspeita que esta fraude tenha envolvido 3,4 mil milhões de euros (10 mil milhões de reais).

Na quinta-feira foi a vez de Marina ser submetida a uma sessão de perguntas e respostas pelo Globo e disse que devido a este novo escândalo, os brasileiros não devem voltar a confiar no PT, já que Lula escolheu um diretor de uma das maiores empresas brasileira para “assaltar os cofres”.

“Não consigo imaginar que as pessoas possam confiar num partido que coloca por 12 anos um diretor para assaltar os cofres das Petrobras. É isso que estão a reivindicar? Que os partidos continuem a fazer do mesmo jeito? Eu espero que as pessoas virtuosas possam renovar os seus partidos, para que eles voltem a interessar-se pelo que são as demandas das pessoas”, afirmou a candidata.

Depois destas declarações da candidata do PSB à presidência da República, o PT já veio anunciar que vai processar Marina por “difamação eleitoral”. Os advogados do PT dizem que as afirmações de Marina Silva são “ofensivos” para a reputação do partido e que esta “extrapolou — e em muito — o mero direito de crítica, ferindo abertamente a honra” desta organização política.