A poucas semanas das eleições primárias do Partido Socialista, António José Seguro e António Costa responderam às mesmas questões, colocadas pela Acção Socialista, a revista do PS. As 11 questões, focadas no futuro do país e do PS, serviram de pretexto para os dois candidatos se atacarem mutuamente, ainda que indiretamente. Seguro salientou que a “solidariedade e a lealdade são valores do PS”, e que o “oportunismo de quem recua nos momentos difíceis e se apresenta quando o mais difícil está feito” não deve ser premiado.

“O PS não existe para servir as ambições pessoais de um militante. Somos todos nós que devemos servir o PS”, disse Seguro. Mas para António Costa, os portugueses estão à espera de alguém que, “por força da experiência política e do que foi fazendo ao longo da vida” seja “um suplemento de confiança”. “Os portugueses estão à espera do PS, de um PS com um rumo certo e que transmita confiança às pessoas, não estão dispostos a passar mais cheques em branco”, afirmou.

Seguro reafirmou a sua determinação em derrotar este Governo e em construir um “país justo” e uma “democracia de confiança”. “Este triste exemplo de um Governo em constante afronta com a Constituição não pode voltar a repetir-se”, defendeu. Descreveu o seu projeto como um “projeto de mudança” para Portugal, que tem como base uma estratégia de crescimento, contrária à política de empobrecimento e de sacrifícios do atual Governo. Essa estratégia implica o crescimento da economia, necessário para a criação de emprego, para o equilíbrio das contas públicas e para garantir a sustentabilidade dos serviços públicos”. “A nossa economia precisa de um motor. A indústria deve ser esse motor”, referiu ainda, apresentando um plano de “reindustrialização”.

António José Seguro não põe a hipótese de liderar um governo minoritário. No caso de tal cenário sair das urnas e de haver a necessidade de um Governo de coligação, o líder do PS garante que não o fará sem a aprovação dos socialistas. “Só haverá Governo de coligação com o voto dos militantes socialistas”, afirmou.

Seguro defendeu ainda que a “estabilidade dos trabalhadores e a regulação do mercado de trabalho” têm de ser uma prioridade do PS e que o grande pecado do atual Governo é aquilo a que chamou “obsessão pela austeridade”. “É uma questão ideológica, não de contexto”, explicou.

As referências ao seu adversário, ainda que indiretas, não faltaram. Seguro salientou que a “solidariedade e a lealdade são valores do PS”, e que o “oportunismo de quem recua nos momentos difíceis” não deve ser premiado. “O PS não existe para servir as ambições pessoas de um militante. Somos todos nós que devemos servir o PS”, disse.

Por outro lado, Costa focou-se em mostrar uma alternativa à atual liderança do Partido Socialista. Quando questionado acerca das medidas para impulsionar o crescimento económico, defendeu a exploração de “toda a flexibilidade dos Tratados Europeus” e que é preciso apostar no investimento, nomeadamente através de apoios europeus. “O recurso aos fundos comunitários (…) é uma boa forma de apoiar a economia”, salientou. Costa defendeu ainda que é importante parar com o corte nos salários e nas pensões, “que nada resolveu”. Contudo, o candidato à liderança do PS não se comprometeu com uma possível descida do desemprego, referindo que é importante “evitar o voluntarismo excessivo que poderia levar a pensar que vamos conseguir recuperar o emprego e reduzir o desemprego” a níveis semelhantes aos dos anteriores a 2008.