O PS encontra-se a braços com uma das mais difíceis batalhas da sua História recente. Luta pela sobrevivência e manutenção do bom nome. É irresponsável haver cisão e ambições pessoais. É hora de tocar a reunir, porque o adversário vem camuflado de justiça popular.

Um comunicado propiciou a demissão de António Costa e consequente decisão de dissolução do Parlamento. Diz o ruído que o comunicado não demitiu Costa. É verdade! Quem demitiu o PM foi a honra e o respeito pelas funções que lhe foram investidas.

A queda do governo, como seria de esperar, motivou a sucessão à liderança do Partido. José Luís Carneiro avançou. Seguiu-se Pedro Nuno Santos, que há anos se prepara para uma aberta.

Eu, porque tenho memória, não posso apoiar Pedro Nuno Santos.

Dizem-me que José Luís Carneiro é menos vistoso que Pedro Nuno Santos, que tem menos aura. Talvez. A luz do dia nunca será tão radiante como o néon, porque uma é natural e a outra é artificial.

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Primeiro porque Carneiro é um homem como eu. Nada me move contra quem viu a sua vida facilitada pelo esforço e trabalho da família. O mesmo já não posso dizer de quem mente para gerar empatia com um povo que não descola do limiar da pobreza.

A liderança do partido não é um concurso de Miss. É a escolha livre e democrática dos atributos que queremos que o candidato a primeiro-ministro tenha para vencer as eleições de 10 de Março de 2024.

O que está em causa, nas internas, é a escolha de um de dois PS: o PS que se esconde e o PS que não desiste. A esquerda que agrega ou a esquerda que divide. Pedro Nuno Santos é conotado com a esquerda radical, que não respeita a propriedade privada, a que se marimba para os mercados internacionais e nos ratings da dívida do país. Votar em Pedro Nuno Santos é dar força à direita, que se mobilizará para combater quem se encontra nos seus antípodas. Votar em PNS é, em última análise, votar pelo crescimento do CHEGA.

O PS, como o país, pertence aos moderados com consciência social. Aos que defendem o crescimento económico e a responsabilidade social com os mais desfavorecidos. O investimento com contas certas, o desenvolvimento com sustentabilidade.

Não contem comigo para deixar ao meu filho um país pior do que aquele que os meus pais me deixaram.

Não sei onde andou Pedro Nuno Santos enquanto o PS era brutalmente atacado pelas decisões que ele tomou enquanto Ministro das Infra-estruturas, mas sei onde estará José Luís Carneiro caso não seja o vencedor das internas – e isso é mais um dos motivos que me leva a crer que é o homem certo para a função – estará ao lado do novo Secretário-Geral, como esteve sempre que o PS precisou dele.

José Luís Carneiro foi o melhor Ministro da Administração Interna da História recente, mas não é isso que o define. O que o caracteriza é a lealdade e disponibilidade que nunca deixou de ter, com o partido e o país.

Eleger Pedro Nuno Santos nas internas é o sonho de Montenegro e Ventura. É a garantia de uma campanha marcada pela TAP, por Alexandra Reis, pelos comboios e pelo célebre discurso em que garantia que a bomba atómica portuguesa seria não pagar a dívida que o país contraiu.

Voto pela moderação, liberdade e sobriedade. Sobretudo, contra a ascensão da direita.

Entenda-se de uma vez: a questão de fundo é muito maior do que preferências ou lógicas internas.

Está em causa a possibilidade, ou não, de o país continuar com um PS sólido a governar os seus destinos.