O Boavista não empatava na casa do FC Porto desde maio de 1993. Bom, em casa emprestada, neste caso, já que o jogo teve lugar no Municipal de Coimbra, perante cerca de 20 mil adeptos. Há aqui uma curiosidade: nesse dérbi de 93, André viu o vermelho direto aos 39′. Mas os dragões até marcaram dois minutos depois, cortesia de Timofte, um canhoto com o pé quente que seria a estrela do Bessa um ano depois. Todavia, um golo de Artur já muito perto dos 90 ditou o empate. Voltou a acontecer em 2014.

FC PORTO – Fernández; Danilo, Maicon, Marcano e José Ángel; Rúben Neves, Herrera e Evandro; Tello, Jackson e Brahimi

BOAVISTA – Mika; João Dias, Philipe Sampaio, Lucas Rocha, Carlos Santos e Anderson Correia; Tengarinha e Beckeles; Miguel Cid, Anderson Carvalho e Zé Manuel

O jogo estava agendado para as 20h15, mas uma chuvada e um relvado alagado não permitiram que se cumprisse o combinado. A dúvida persistiu durante largos minutos, mas, após uma derradeira avaliação, a equipa de arbitragem decidiu que houvesse dérbi portuense. Lopetegui e a sua entourage não pareciam muito satisfeitos. Afinal, quem tem melhor jeitinho com a bola fica sempre a perder nestes casos…

O minuto 23 marcou esta partida. Uma entrada imprudente de Maicon sobre Anderson Correia resultou num cartão vermelho numa fase muito precoce da partida. Jorge Ferreira não hesitou e expulsou o central. O FC Porto assinava então uma posse de bola a rondar os 85%, o que é impressionante. E demonstra também a fragilidade deste Boavista, que terá uma longa batalha pela frente para se aguentar na Primeira Liga.

Lopetegui mandou Martins Indi aquecer, mas rapidamente percebeu que o jogo não ia mudar assim tanto. A bola continuou do lado dos homens que vestiam de azul. Uma e outra equipa só criavam perigo através de livres e cantos. Mica, um guarda-redes ex-Benfica, foi resolvendo todos os problemas.

Mas houve uma exceção, vinda de alguém que não surpreende. Brahimi, o homem do hat-trick contra o BATE, driblou dois, fez uma tabela com Danilo, recebeu, rodou, fintou outro e chutou, fraco. Este argelino tem ginga naqueles pés. Rúben Neves, que voltou à titularidade, também tentou, de longe. Passou perto. Na ausência de Maicon, era o jovem médio que dava uma ajuda a Marcano.

O Boavista, com muitas limitações técnicas, lá foi tentando sair uma e outra vez. E, já muito perto do intervalo, os homens do Bessa quase marcaram o primeiro da noite. Zé Manuel, na direita, encontrou Anderson Correia no corredor oposto. O avançado viu a bola fugir ao guarda-redes espanhol e rematou com o pé esquerdo, já com pouco ângulo. Destino: redes laterais. O Dragão suspirou de alivio.

Intervalo no Porto. O que muita gente adivinhava ser um jogo relativamente fácil para a equipa da casa, tornou-se num pesadelo. Os adeptos tinham motivos para estar preocupados, mas sempre se podiam agarrar à história. Em 102 jogos contra o Boavista, o FCP ganhou 70. Se falarmos apenas do que se passou nas Antas e Dragão (ou casas emprestadas), abram alas para os reis da Invicta: 44 vitórias em 51 jogos.

A segunda parte começou com uma alteração: Evandro saiu, entrou Casimiro. O brasileiro emprestado pelo Real Madrid oferecia duas coisas: músculo e oferecia a oportunidade de Rúben Neves e Herrera se soltarem. Os cerca de 30 mil adeptos que estavam no estádio ansiavam por um rasgo de génio de Jackson, Brahimi ou Tello.

Mas a inspiração ficou esquecida noutras paragens, ou então foi engolida pela carga de água que valeu de introdução para este jogo. Os dragões surgiram melhores, com mais ideias, com mais vontade de jogar à bola e baralhar os frágeis boavisteiros. Tello foi o primeiro a assustar (56′). Lançado pela esquerda, depois de mais um grande passe de Rúben Neves, chutou para as nuvens. Ficava o aviso.

Os homens vestidos de azul já conseguiam fazer triangulações e encontravam mais espaço no meio-campo adversário. E assim, naturalmente, deixavam mais exposta a baliza de Fernández. Seguiu-se Jackson a rematar de fora da área, com o pé esquerdo. A bola saiu forte, mas valeu Mica.

Lopetegui lançou Quaresma a 20 minutos do fim, pelo desinspirado Tello. Petit, com noção de que este seria um ponto precioso, ordenou que a equipa se juntasse e se deixasse de aventuras rumo ao meio-campo do rival. Mas não havia nada a fazer. Apito final no Dragão.

Depois do empate com o Vitória em Guimarães, seguiu-se outro, em casa. A super exibição na Liga dos Campeões não fazia adivinhar este desfecho, mas a expulsão de Maicon ditou o desastre. Os dragões veem assim o Benfica fugir, com dois pontos de avanço.