Um grupo jihadista argelino com ligações ao Estado Islâmico no Iraque e na Síria – Jund al-Khilifa (Os soldados do califado) – divulgou esta quarta-feira um vídeo que mostra a decapitação do turista francês Herve Gourdel, capturado este domingo, noticiou a Agence France Press (AFP).

O presidente francês François Hollande já confirmou a morte de Gourdel, segundo o Le Monde. “Hervé Gourdel morreu porque era francês, porque o seu país, a França, luta contra o terrorismo. Porque ele representava um povo – o nosso – que defende a dignidade humana contra a barbárie”, disse Hollande, sublinhando que não vai recuar no combate contra o EI. “A minha determinação é total. Continuaremos a lutar contra o terrorismo em todo o lado, particularmente contra o Estado Islâmico, que espalha a morte no Iraque e na Síria, persegue as minorias religiosas, viola e decapita. As operações militares aéreas continuarão enquanto forem necessárias. Quero que sejam tomadas todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos nossos compatriotas, em França e no resto do mundo”.

Na terça-feira, os jihadistas deram à França um ultimato de 24 horas para que esta parasse a colaboração, iniciada na semana passada, com os Estados Unidos nos ataques aéreos contra o Estado Islâmico no Iraque. François Hollande e o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, rejeitaram publicamente este ultimato. Em Nova Iorque para participar na Assembleia Geral da ONU sobre alterações climáticas, Hollande mostrou-se inflexível: “Por mais grave que esta situação seja, não vamos ceder a qualquer chantagem, a qualquer pressão ou ultimato, por mais odioso ou abjeto que seja”. Antes do anúncio da decapitação, esta quarta-feira Manuel Valls defendeu o apoio militar francês na campanha contra o EI. “A nossa segurança nacional está em jogo como nunca esteve ao longo dos últimos anos”, disse, segundo o Le Monde.

Gourdel, de 55 anos, era natural de Nice, no sul de França e estava na Argélia em turismo quando foi raptado pelo grupo Jund al-Khilifa. De acordo com a BBC, o vídeo divulgado esta quarta-feira tem o título: “Mensagem de sangue para o Governo francês”.

O grupo argelino está ativo há vários anos, tendo-se associado recentemente ao Estado Islâmico e alterado o nome para Jund al-Khilifa, numa referência ao califado declarado pelos jihadistas islâmicos no Iraque e na Síria, como explica o jornal francês. Anteriormente, era um dos ramos da Al-Qaeda no Magrebe.