Os jihadistas do Estado Islâmico estão a menos de dois quilómetros de Bagdad, segundo a Foundation for Relief and Reconciliation in the Middle East. O anúncio surge depois de Barack Obama ter dito, numa entrevista ao programa 60 Minutos do canal norte-americano CBS, que os Estados Unidos subestimaram as atividades do Estado Islâmico na Síria, transformada na porta de entrada para os jihadistas. Ao mesmo tempo, acrescentou o Presidente norte-americano, a capacidade do exército iraquiano para lutar contra estes grupos terroristas foi largamente sobrestimada.

“Eles diziam que não podia acontecer e agora está quase a acontecer. Obama disse que sobrestimou aquilo que o exército do Iraque podia fazer. Eles podem fazer muito, muito pouco”, disse um porta-voz da fundação que esta segunda-feira deu conta da aproximação dos jihadistas da capital iraquiana, citado pelo Independent.

Da Síria chegaram notícias de uma aparente reconciliação entre o Estado Islâmico e a Frente-al-Nusra, o braço armado da Al-Qaeda no país que tem lutado contra o regime de Assad durante a guerra civil. Tanto o Estado Islâmico como a Al-Nusra têm raízes na Al-Qaeda, mas desde o início do conflito sírio tornaram-se rivais, envolvendo-se em confrontos sangrentos que vitimaram mais de três mil militantes de ambos os lados, escreve o Independent. Em 2013, o líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, declarou a fusão das duas organizações, mas a Al-Nusra rejeitou esta aliança. Agora, os dois grupos parecem estar a formar uma coligação em algumas partes do país para fazer frente aos ataques aéreos levados a cabo pelos Estados Unidos e os seus aliados.

A ofensiva norte-americana, iniciada há cerca de uma semana, fez várias vítimas entre os membros da Al-Nusra, que consequentemente ameaçou a coligação internacional de vingança. “Estes estados cometeram um ato terrível que os coloca na lista de alvos a abater pelos jihadistas”, disse Abu Firas al-Suri, porta-voz do ramo sírio da Al-Qaeda, acrescentando: “Isto não é uma guerra contra a Al-Nusra, mas contra o Islão”. Um responsável deste grupo disse ao Guardian que 73 membros já se juntaram ao Estado Islâmico e que muitos outros tencionam fazê-lo nos próximos dias. Outra fronte confirmou ao jornal britânico que os líderes das duas organizações planeiam reunir-se para discutir planos para a guerra.

Apesar de os Estados Unidos não terem admitido ataques contra a Al-Nusra, o grosso da ofensiva inicial norte-americana e dos aliados internacionais na Síria visou as bases do grupo Khorasan, que alguns analistas acreditam pertencer à Al-Nusra.

Situação agrava-se na fronteira com a Turquia

Na cidade síria de Ayn al-Arab, (conhecida por Kobane pelos curdos) o terceiro maior enclave curdo do país perto da fronteira com a Turquia, continuam os ataques do Estado Islâmico, que já forçaram mais de 150 mil pessoas a abandonar as suas casas e a refugiar-se na Turquia, de acordo com o New York Times. A Turquia já encerrou a maior parte dos postos de controlo na área, tendo recorrido por diversas vezes a gás lacrimogéneo para dispersar a multidão que tenta passar para o lado turco, escreve o mesmo jornal norte-americano.

Segundo o Crescente Vermelho sírio, pelo menos duas pessoas morreram e 16 ficaram feridas enquanto tentavam atravessar campos minados ao longo da fronteira entre os dois países. Os curdos temem um massacre na região e queixam-se da falta de apoio dos Estados Unidos, acusando também os turcos de não especificarem como vão participar na coligação internacional contra os jihadistas.

Os Estados Unidos levaram a cabo pelo menos seis ataques perto de Kobane para apoiar as milícias curdas, que tentam impedir o Estado Islâmico de controlar a região, o que daria aos jihadistas uma vantagem estratégica no nordeste da Síria e um acesso facilitado ao noroeste do Iraque. De acordo com o Guardian, David Cameron já admitiu a possibilidade de estender o apoio britânico também à Síria. Por agora, no entanto, os ataques de apoio aos curdos de Kobane estão a cargo da Arábia Saudita, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Depois de na sexta-feira o Parlamento britânico ter autorizado a colaboração do Reino Unido no esforço internacional contra o Estado Islâmico, também a Bélgica e a Dinamarca vão juntar-se à coligação que inclui também a França e a Austrália.

Os ataques ao Iraque começaram no dia 8 de agosto, tendo já sido perpetuados mais de 200 ataques contra posições dos jihadistas no país. Na passada terça-feira, dia 23 de setembro, a operação foi estendida à Síria.