A Tecnoforma pagava cinco mil euros por mês ao Centro Português Para a Cooperação (CPPC) mas esss valor não aparece nas contas desta Organização Não Governamental (ONG). A informação foi avançada esta sexta-feira pela RTP. O valor é o mesmo que consta na queixa anónima que o Ministério Público investigou, mas cujos factos prescreveram. Esta queixa dizia que o primeiro-ministro, Passos Coelho, quando era presidente da organização recebia esse valor da empresa.

Segundo o advogado da Tecnoforma, Cristóvão Carvalho, todos os meses eram transferidos 5 mil euros para o CPPC, a ONG que o primeiro-ministro, Passos Coelho, presidiu entre 1996 e 2001 – o período de vida da organização. Cristóvão Carvalho garantiu que há registo desses valores, apesar de as contas da empresa estarem no Departamento Central de Investigação e Ação Penal – onde corre o inquérito por suspeitas de corrupção e favorecimento da empresa.

Passos Coelho já garantiu na Assembleia da República não ter recebido qualquer remuneração enquanto foi deputado em exclusividade, entre 1991 e 1999. O principal mecenas da ONG era a empresa Tecnoforma, para onde Passos Coelho entrou como consultor em 2000, um ano depois de a CPPC fechar a atividade. De 2005 a 2007 o agora primeiro-ministro foi promovido a administrador. A empresa pediu insolvência em 2012.

Ainda de acordo com a RTP, que consultou as contas da CPPC depositadas no Instituto Camões, não há qualquer registo de valores recebidos por mecenato, muito menos os valores apontados pelo advogado. A RTP pediu a um Revisor Oficial de Contas para analisar o único balanço de atividade disponível, referente a 1998. E também ele não encontrou valores que pudessem ter sido auferidos por via do mecenato.

Fernando Madeira, o então administrador da Tecnoforma que disse à revista Sábado que Passos Coelho recebia dinheiro da empresa, negou à RTP que a empresa pagasse esse valor à ONG. E lembrou que todos os cheques tinham que ser assinados por ele e por Manuel Castro, ainda administrador. Do gabinete do primeiro-ministro não saem mais “declarações” sobre o caso.