O Presidente da República defendeu a construção do novo aeroporto, mas avisou o Governo que a evolução da TAP — que se encontra em processo de alienação de 49,9% — não pode ser “tratada apenas em função das necessidades imediatas e de encaixes financeiros”. No encerramento da VIII Cimeira do Turismo Português, António José Seguro defendeu que o “novo aeroporto de Lisboa é uma questão decisiva para a capacidade futura do país”, mas destacou que “a evolução da TAP é igualmente relevante, tendo em conta o seu papel na ligação de Portugal aos mercados internacionais e na captação de turistas”.
A intervenção de Seguro é especialmente relevante já que esta segunda-feira o ministro das Infraestruturas revelou que a decisão sobre a venda da TAP — que está entre a Air France-KLM e a Lufthansa — deve ocorrer em “meados de outubro”. Por outro lado, se Seguro desvaloriza o encaixe financeiro da operação, o primeiro-ministro Luís Montenegro tem destacado a importância da mais-valia financeira do negócio.
Na festa do Pontal, o primeiro-ministro disse mesmo estar em “condições de dizer” que a venda da participação na TAP “será uma operação melhor do que aquilo que se perspetivava há alguns anos, se calhar mesmo há alguns meses”. E acrescentou ainda ter “uma convicção muito firme de que se vai iniciar a recuperação total do valor que os portugueses investiram na TAP”. Seguro insiste que aeroporto e TAP “são matérias que exigem visão, planeamento e capacidade de execução.”
Durante a campanha, o futuro Chefe de Estado defendeu que a companhia aérea estatal deveria continuar na esfera pública. Numa resposta por escrito enviada ao Observador em janeiro, ainda como candidato, António José Seguro disse ser a favor que a maioria do capital da TAP continuasse no Estado, já que “a TAP é estratégica para o país”. Segundo o futuro Presidente da República disse ao Observador, “o Estado deve assegurar o controlo estratégico da companhia para garantir que serve o interesse nacional, a economia e a coesão territorial”.
Curiosamente, em 2014, pouco antes de desaparecer da vida pública e política, António José Seguro, então líder da oposição, já era uma das vozes públicas contra a privatização da companhia. “Luto muito para que esta TAP não seja privatizada e possa ser transformada numa empresa da lusofonia”, chegou a dizer na altura. O então líder do PS admitia na altura que a TAP precisava de “injeção de capitais privados”, mas defendia que esse capital deveria vir de países da CPLP como Angola, Moçambique ou Brasil. A ideia era que o Estado português continuasse a “ter metade do capital e a ser o principal acionista da TAP e, simultaneamente, entrar dinheiro fresco para o investimento em novos aviões”.
Seguro não quer que turismo prejudique “qualidade de vida” dos portugueses
Na cimeira do turismo desta segunda-feira, o Presidente da República manifestou-se ainda preocupado com a pressão que o turismo provoca em algumas cidades e zonas balneares: “Quando a concentração turística ultrapassa a capacidade de resposta dos territórios, das infraestruturas e dos serviços, surgem problemas que não podem ser ignorados.” A pressão sobre a habitação, a mobilidade, o ambiente, os serviços públicos e a qualidade da própria experiência turística exige respostas concretas.”
Seguro avisa que “não basta crescer”, uma vez que é “preciso garantir que o crescimento beneficia o país e é compatível com a qualidade de vida dos portugueses.”