Os autarcas representados na administração da Resinorte anunciaram esta segunda-feira rejeitar um aumento da tarifa de deposição de resíduos em 2015, conforme pretendido pela empresa de gestão de resíduos, reclamando antes uma descida do preço por tonelada.

Em comunicado enviado pela Câmara Municipal de Lamego, os autarcas dizem ter votado contra a proposta tarifária apresentada pela administração da empresa para o próximo ano, que aumenta dos atuais 36 euros para 36,60 euros/tonelada a tarifa de deposição de resíduos.

Os representantes das autarquias — que são membros não executivos do conselho de administração da empresa – defendem que, em 2015, a tarifa seja reduzida e fixada em 32 euros, tendo em conta que “a situação económica financeira da Resinorte o permite e a boa gestão o recomenda”.

Unânimes em defender que “não se justifica para 2015 um aumento tarifário”, os autarcas sustentam que, mesmo com a “forte redução” reclamada, será possível “manter o mesmo nível de lucro verificado em 2013, superior a um milhão de euros”.

Segundo recordam, este ano a Resinorte procedeu ao pagamento extraordinário de remunerações aos acionistas relativas a anos anteriores, uma situação que consideram que “não se deve repetir”, devendo ser paga “apenas a remuneração acionista do ano”.

Para os autarcas, esta situação “confirma que em 2013 a tarifa estava inflacionada” e justifica uma redução a partir do próximo ano.

Constituída em 2009, a Resinorte é o sistema multimunicipal de triagem, recolha, valorização e tratamento de resíduos sólidos urbanos do Norte Central do país, abrangendo 35 concelhos (distritos de Braga, Porto, Vila Real e Viseu) e servindo cerca de um milhão de habitantes

De capitais públicos, a empresa é maioritariamente detida pela Empresa Geral do Fomento (EGF), que está em fase final de privatização e cuja adjudicação já foi anunciada pelo Governo a um consórcio liderado pela Mota-Engil.