Ligar para a linha Saúde 24 (808 24 24 24) é o primeiro passo a dar caso suspeite que está infetado com o vírus do ébola. Até porque “o telefone não transmite doenças”. Quem o reafirma é o diretor geral de saúde, Francisco George, depois de uma doente ter dado entrada este domingo no Hospital de S. João, pelo próprio pé, com suspeita de ébola. Um comportamento que Francisco George diz estar errado.

Portanto, se regressou recentemente da Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa ou República Democrática do Congo ou se esteve em contacto direto com uma pessoa infetada com o ébola deverá vigiar o estado de saúde durante 21 dias. E se ao fim desse período começar a sentir sintomas específicos, deverá ligar para a Saúde 24.

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Isto significa que durante 21 dias, que corresponde ao período máximo de incubação da doença, deverá medir a febre duas vezes ao dia. Se entretanto começar a acusar febre alta, bem como outros sintomas como dores musculares, vómitos e diarreia, o passo seguinte é ligar o 808 24 24 24 e dizer se viajou recentemente e para que país. Se o profissional de saúde entender que se trata um caso suspeito de ébola é acionada uma equipa do INEM que o transportará, devidamente isolado, para uma das unidades hospitais de referência (S. João, no Porto, Curry Cabral, em Lisboa, e D. Estefânia, para crianças).

Risco para a família é baixo

Uma das questões que se levanta, perante as recomendações da Direção Geral de Saúde, é se nos 21 dias em que a pessoa está em casa a vigiar o estado de saúde pode infetar familiares. “Os riscos são muito baixos”, garante ao Observador Francisco George. E porquê? “Porque ao contrário de outra doença de natureza viral, como o sarampo, o ébola não se transmite antes dos sinais, ou seja, antes dos sintomas serem visíveis”, explica o diretor geral de saúde.