A nove dias da segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, a campanha e o tom das acusações está mais quente do que nunca. Dilma RousseffAécio Neves, este agora com o apoio da candidata derrotada Marina Silva, discutem no próximo domingo, dia 26, quem vai sentar-se no Palácio do Planalto. “Caíram as máscaras e as boas maneiras”, escreveu a versão em português do El País.

O segundo debate televisivo entre os candidatos ficou marcado pelas acusações e pela falta de ideias e propostas, contou a edição brasileira do El País. O empate técnico nas sondagens ajuda a explicar o porquê de ambos estarem com as garras de fora. Enquanto Aécio procurou explorar o caso de corrupção na Petrobras, a atual presidente questionou o que fazia a irmã de Aécio, Andrea, no Governo de Minas Gerais, quando ele era governador. Trabalho “voluntário”, respondeu o candidato.

No que mais parecia ser uma partida de ténis de mesa, Dilma foi depois questionada sobre a nomeação do irmão para a prefeitura de Belo Horizonte, em 2003. “Foi nomeado e nunca trabalhou”, acusou o rival da presidente. Dilma negou que algum parente tenha sido nomeado para o próprio governo, algo que é crime.

“A senhora conhece o senhor Igor Rousseff, seu irmão? Eu não queria chegar a este ponto. Seu irmão foi nomeado para trabalhar na prefeitura (de Belo Horizonte, de Minas Gerais) em setembro de 2003. E nunca apareceu para trabalhar. Essa é a verdade. Eu lamento trazer esse tema aqui. A diferença entre nós é que minha irmã trabalha muito e não recebe nada. E seu irmão recebe e não trabalha”, acusou Aécio Neves.

A Petrobras, como não podia deixar de ser, teve direito a minutos de fama. “Ou é conivente ou é incompetente”, acusou Aécio Neves sobre o caso de corrupção da petrolífera. Dilma defendeu-se, indicando que há novas informações que colocam no ponto de mira Sérgio Guerra, um tucano, como Aécio. Mas foi mais longe e lembrou um tema que a Folha de São Paulo abordou a 20 de julho. O governo de Minas Gerais terá gasto 14 milhões de reais (quase 4,5 milhões de euros) para construir um aeroporto na fazenda de um parente do então senador tucano Aécio Neves, no fim do segundo mandato como governador. Debateu-se ainda questões de política nacional de segurança, inflação e desemprego.

“É errado isso de um aeroporto privado ser construído com dinheiro público na fazenda de um tio, isso é feio”, disse Dilma Rousseff, lembrando um tema que tem sido badalado desde julho.

https://www.youtube.com/watch?v=cQKOndOBWjg

Ideias, acusações e promessas. Houve de tudo, mas foi o que aconteceu no final do debate que deu que falar, principalmente nas redes sociais. Numa espécie de flash interview, como acontece no futebol após cada jogo, Dilma foi abordada pela jornalista do SBT para comentar o debate. A presidente começou muito segura de si, a olhar para a câmara, tentando explicar algumas coisas que separam os candidatos. Mas o discurso deixou de ser articulado. As palavras começaram a faltar. “Vamos repetir, vamos começar… Eu estou-me sentindo mal”, explicou.

Alguns minutos depois justificou que terá sido uma quebra de tensão. “Acredito que um debate exige muito da gente, então, foi isso. Agora consigo concluir a minha entrevista e peço desculpas ao telespetador, mas é assim que nós somos”, afirmou. Dilma publicou depois um vídeo no Facebook, intitulado “Pronta para a luta”, para descansar os apoiantes. “Oi pessoal, eu estou aqui no hotel, a sentir-me muito bem e pronta para mais um dia de luta. Bom, agora vou parar, comer o meu feijãozinho com arroz porque saco vazio não para em pé”, disse. Já Aécio, numa reação ao debate, garante que “a grande vitória está muito próxima”– vídeo em baixo.