Helmut Smits diz que gosta de olhar para as coisas e para o mundo como se fosse a primeira vez. Foi por isso que se lembrou de transformar Coca-Cola em água potável. A máquina responsável pelo processo de transformação está presente na exibição Sense Nonsense, que está a decorrer no museu Van Abbemuseum, em Eindhoven, Holanda. Foi desenvolvida em parceria com o grupo Synthetic Organic Chemistry da Universidade de Amesterdão.

Smits é um artista visual multidisciplinar que afirma que vivemos “num mundo em que pode ser mais difícil encontrar água potável do que uma garrafa ou lata de Coca-Cola”, diz, citado na publicação holandesa Dezeen Magazine. A instalação de destilação, como a imprensa a designa, chama-se “The Real Thing”, que será algo como “A coisa verdadeira”.

“Eu tento olhar para o mundo e para as coisas à nossa volta como se fosse uma criança ou um extraterrestre, como se estivesse a vê-las pela primeira vez. Quando olhei para a Coca-Cola dessa forma, vi água castanha e suja, por isso foi lógico filtrá-la para que voltasse a ser água potável, tal como fazemos com as águas residuais”, disse.

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A investigação levada a cabo pelo artista concluiu que para produzir um litro de Coca-Cola podem ser necessários cerca de nove litros de água potável, um facto que Smits considerou “absurdo”. “Nalgumas partes do mundo, as pessoas não têm acesso a água potável, mas podem comprar uma garrafa de Coca-Cola”, disse.

A instalação recorre a um processo de destilação simples: a Coca-Cola é cozida num recipiente, no qual produz vapor de água, que é canalizado para um copo, no qual se juntam os minerais.

Apesar do interesse e curiosidade que a instalação tem suscitado, Smits não planeia avançar com o projeto e revela que o objetivo é deixar as pessoas pensarem como é que os humanos criam o mundo e fazerem perguntas. “Eu quero apenas que as pessoas se riam e que pensem na m*rda que consomem”, disse. A exposição acaba a 9 de novembro.