O ex-ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, decidiu dar uma conferência de imprensa onde disse sentir-se alvo de “manipulação política”. As declarações surgem uma semana depois de a apresentadora de televisão, Bárbara Guimarães, ter participado num evento contra a violência doméstica organizado pelo Governo. Manuel Maria Carrilho é acusado de violência doméstica e aguarda o julgamento do processo. Também ele processou a ex-mulher, Bárbara Guimarães, pelos crimes de maus-tratos e de abandono dos filhos.

O evento em causa, tal como o Observador noticiou, foi organizado no âmbito das III Jornadas Contra a Violência Doméstica. A secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, que tem mais de 40 iniciativas previstas ao longo deste mês, convidou várias personalidades para lerem textos relativos a várias formas de violência doméstica.

A representação, da autoria de uma jornalista italiana, já foi encenada noutros países, também por figuras públicas. Em Portugal, contou com jornalistas, apresentadoras de televisão, atrizes, cantoras, entre elas Bárbara Guimarães, Cláudia Semedo, Eneida Marta, Fátima Campos Ferreira, Fátima Lopes, Joana Latino, Lucília Raimundo, Mariza, Paula Magalhães, Sandra Barata Belo, Sílvia Alberto e Tânia Ribas de Oliveira.

O ex-ministro não gostou da iniciativa e convocou uma conferência de imprensa para esta tarde de terça-feira para explicar porquê. “Como é evidente, o Governo não pode ignorar – dadas as muitas vezes lamentáveis, mas quase permanentes, referências públicas ao caso – que entre mim e a minha ex-mulher subsistem múltiplos e graves atritos que estão (…) a ser tratados na justiça”, disse aos jornalistas.

Depois de afirmar que existem três processos em tribunal, o ex-governante considerou que a escolha de Bárbara Guimarães foi um ataque pessoal. “Foi efetuada uma manipulação grosseira do evento de forma a fazer passar a ideia de que Bárbara Guimarães estava a falar da sua própria situação pessoal”, disse.

“Encontrar o Governo associado a uma coisa destas permite concluir que existe o objetivo político de atacar alguém que se encontra ligada ao mais importante partido da oposição, do qual foi dirigente e por escolha do qual exerceu funções de deputado, de ministro e de embaixador de Portugal, sabendo-se que nos encontramos já em contagem decrescente para o combate politico que irá ter lugar no próximo ano de 2015”, disse Carrilho.

O Observador contactou a secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade. A secretária de estado, Teresa Morais, diz que não vai tecer qualquer comentário sobre o assunto.