A escolha da palavra do ano, iniciativa da Porto Editora, é um belo exercício para tirar a pinta a 2014. As palavras finalistas traçam um retrato do que se teve durante 12 meses, mas também mostra tendências e termos que suscitaram a curiosidade dos portugueses. “Que frenesim vai na bancada do Partido Socialista, que basqueiro, como se diz no norte”, disse Pires de Lima no início de novembro, no Parlamento, quando desafiou António Costa a ceder à “tentação” de aumentar “taxas e taxinhas” na área do Turismo. Basqueiro é precisamente uma das dez palavras candidatas a palavra do ano. Significa ruído e não é nada ofensivo. “Gerou muita curiosidade entre as pessoas. Antes até se dizia ‘vasqueiro’, mas mudou”, explicou uma fonte da Porto Editora ao Observador.

As dez palavras candidatas: banco, basqueiro, cibervadiagem, corrupção, ébola, gamificação, jihadismo, legionela, selfie e xurdir

A Porto Editora permitiu aos portugueses que sugerissem palavras e expressões até 30 de novembro. O prazo acabou e as palavras já são conhecidas. Curiosidades? O jihadismo foi colocado em cima da mesa pelo Estado Islâmico. A presença na lista de Ébola e legionela comprova a importância, e a devastação, que os dois surtos, em escalas diferentes, provocaram. A lengalenga segue para a selfie, um sinal dos tempos modernos e do culto da individualidade na sociedade. Não deixa de ser curioso ver as palavras banco e corrupção na mesma lista, um diagnóstico que assombrou e assombra os portugueses.

E xurdir? “É uma palavra transmontana. Significa lutar pela vida, mourejar”, revelou a mesma fonte. E também aqui um sinal dos tempos, aqueles de dificuldades financeiras que convidam a remexer em palavras cheias de pó. Já gamificação traduz-se no recurso a técnicas características de videojogos para resolver problemas práticos ou consciencializar ou motivar um público específico para um determinado assunto, seja na educação e saúde, seja na política.

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A cibervadiagem diz respeito à “utilização de plataformas digitais, como as redes sociais, com fins lúdicos durante o exercício de funções profissionais”, algo que “é cada vez mais frequente e é um fenómeno que começa a ser objeto de análise jurídica”, conforme pode ler-se no site da infopédia.

Convencido? Tem até às 23h59 do último dia do ano para votar e escolher a sucessora de “bombeiro”, a special one de 2013, provavelmente em jeito de homenagem àqueles que arriscam a vida e combate fogos todos os verões. Antes, as palavras vencedoras, numa iniciativa que arrancou em 2009, foram esmiuçar, vuvuzela, austeridade e entroikado.