Uma nova trilogia de Richard Zimler, inéditos em Portugal de Yûko Tsushima e Ernest Hemingway e o regresso de Hernán Díaz marcam as apostas do Grupo Porto Editora para os últimos meses de 2026.

Entre as principais novidades para o último quadrimestre do ano, apresentadas esta quarta-feira pelo grupo editorial, está uma nova trilogia de Richard Zimler, intitulada O voo dos anjos caídos.

O primeiro volume, A beleza das coisas imperfeitas, chega às livrarias em setembro, seguindo-se No abismo das ilusões, em outubro, e O último golpe de asa, em novembro.

A história decorre três séculos depois das guerras do juízo final que devastaram a Terra, num mundo sem a tecnologia e o armamento que conduziram à catástrofe. Na Península Ibérica, as cidades e vilas livres resistem à Aliança, uma ordem religiosa fundamentalista que pretende impor uma suposta pureza da espécie humana e persegue os sobreviventes afetados por mutações provocadas pelas nuvens tóxicas.

É neste cenário que vive Falcão, um jovem arqueiro que vê a sua comunidade novamente ameaçada e se vê obrigado a procurar ajuda num misterioso mundo oculto, confrontando o medo do desconhecido e o sacrifício exigido pela defesa das pessoas que ama.

Na chancela Livros do Brasil, o destaque vai para Territórios de luz, de Yûko Tsushima, uma das principais escritoras japonesas da segunda metade do século XX, que será publicado pela primeira vez em Portugal.

Trata-se de um romance de 1979, que acompanha uma mulher recentemente abandonada pelo marido, que se muda com a filha de 2 anos para um apartamento em Tóquio.

A narrativa acompanha um ano da vida das duas, enquanto a protagonista tenta reconstruir a sua existência como mulher separada e mãe, explorando a relação com a filha, a solidão, o desejo, a maternidade e a instabilidade emocional da protagonista.

A mesma chancela assinala o regresso do escritor norte-americano Hernán Díaz com Fios, quatro anos depois de Confiança, romance distinguido com o Prémio Pulitzer de Ficção em 2023.

Neste seu terceiro romance (o primeiro foi Ao longe), Hernán Díaz muda de cenário e, depois de revisitar o passado norte-americano, imagina um futuro distante, após um longo período de colapso político e ambiental.

A protagonista é uma órfã que cresce numa cidade norte-americana onde o Estado foi desmantelado e as formas de organização social estão a ser reinventadas, e que quando chega à idade adulta começa a roubar eletricidade da rede para a vender no mercado negro e alimentar a cena musical ‘underground’ de que faz parte, até que a atividade a conduz a uma experiência científica extraordinária, capaz de alterar a própria estrutura da realidade.

Acaba então por se ver envolvida num labirinto cada vez mais paranoico, em que são postos em causa os seus amigos, a sua identidade e aquilo que julgava saber sobre o mundo.

A Livros do Brasil recupera ainda a faceta jornalística de Ernest Hemingway com Despachos Assinados, uma obra publicada originalmente em 1967, que terá a primeira edição portuguesa.

Na poesia, a Assírio & Alvim apresenta Só o incêndio lavra, de Diogo Pires Aurélio, Caminho de cabra, de Golgona Anghel, e Amor chega em breve num volkswagen, de Filipa Leal.

A poesia de língua inglesa estará representada por John Clare, com Recordações da fuga de Essex seguidas de 20 poemas do manicómio, numa edição com tradução, seleção e prefácio de Hugo Miguel Santos.

Da poesia chinesa chega Depois da chuva: a grande poesia da dinastia Tang, uma antologia de Du Fu, Wang Wei e Li Bai, três dos principais poetas chineses da dinastia Tang.

A Assírio & Alvim publica ainda A escola do paraíso, de José Rodrigues Miguéis, romance que acompanha o jovem Gabriel e a Lisboa do início do século XX, e que há mais de 30 anos que estava fora do mercado, tendo sido originalmente publicado pela Editorial Estampa.

As novidades do grupo para os últimos meses de 2026 incluem ainda outras obras e apostas editoriais das suas várias chancelas, como um novo livro de Carlos Guimarães Pinto, desta vez em parceria com José Maria Pimentel.

Trata-se de uma obra na área da sociedade e do pensamento, intitulada Caos e progresso, que parte da história das revoluções na comunicação para refletir sobre a relação entre tecnologia, desinformação, conflito e progresso.

Na área do thriller, Camilla Läckberg regressa à saga de Fjällbacka com A carpideira, que chega às livrarias em outubro, a dupla Lars Kepler apresenta um novo caso em Medusa, e Wm. Paul Young retoma o universo de A cabana com O regresso à cabana, continuação do romance publicado originalmente em 2007.

Na não-ficção, a Porto Editora publica Um dia vais ter tudo, de Mariana Correia Pinto, biografia de Germano Silva que recupera a infância do jornalista e cronista nas ruas do Porto, a sua relação com a cidade e as pessoas que marcaram o seu percurso.

Está prevista ainda a publicação de Gente como nós, estreia de Miguel Herdade, que analisa o peso da classe social, da geografia e da família nas oportunidades de vida; As origens da era autoritária, de Ibram X. Kendi, sobre a ascensão da teoria da Grande Substituição; e Se Darwin fosse CEO, de Rui Coutinho, que propõe uma nova abordagem à inovação e à capacidade de adaptação das organizações.