A história que se segue é … no mínimo insólita. No dia 9 de setembro Vinícius Ginja recebeu um email de um desconhecido – que se apresentava como ex-aluno do curso da Faculdade de Engenharia do Porto -, oferecendo-se para pagar as propinas totais de um dos alunos do seu antigo curso. Vinícius respondeu e passados 15 minutos o pagamento, na ordem dos 1.000 euros, estava feito. Ao que parece foi o único a fazê-lo.

“Respondi porque não vi razão para ser spam, não era de qualquer forma ofensivo ou inconveniente e porque vi sinceridade nas palavras”, contou ao Observador o estudante de Mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, da Faculdade de Engenharia, da Universidade do Porto. Vinícius Ginja teve apenas de gerar as referências para o pagamento das propinas e enviá-las ao alegado ex-aluno.

O estudante de 21 anos considera que o mais provável é tratar-se de um docente da faculdade pelo “facto de o mesmo ter mencionado que não queria usar a sua ‘entidade da FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto)’, e pelo facto de ser ex-aluno e estar em condições financeiras de dispensar esta quantia. Faz-me crer que já terá uns anos de trabalho. Por outro lado penso que só alguém com acesso ao SIFEUP (sistema de informação da FEUP) teria acesso aos emails dos alunos”, explicou. É que Vinícius não foi o único a ser brindado com este email. Só aquele que recebeu tinha 50 destinatários, todos do seu curso e do seu ano, conta. E em conversa com alunos do mesmo curso de outros anos percebeu que também tinham recebido o email.

Os 1.000 euros permitiram liquidar as propinas anuais e deram uma grande ajuda a Vinícius, também bolseiro de ação social, que no segundo semestre vai fazer estágio na Intel Corporation, na Holanda, onde concluirá a tese de mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, frisa o estudante que, em resumo, projeta sistemas digitais, que depois são implementados como chips para fabrico.

O Observador enviou um email para o endereço anónimo em causa, a fim de tentar perceber qual a identidade do benfeitor, mas não obteve qualquer resposta até ao momento.

Contactado, o assessor de imprensa da Universidade do Porto mostrou-se surpreendido com o acontecimento, que foi avançado em primeira mão pelo Canal Superior, e disse desconhecer a situação bem como a origem do referido email, acrescentando apenas que não tem necessariamente de ser um docente, uma vez que qualquer funcionário pode ter acesso ao sistema de informação da faculdade, onde constam os emails de todos os alunos.