Depois de quase duas horas de conversa, Passos Coelho e António Costa saíram da reunião sem consensos em assuntos “concretos”, mas com promessas de fim do efeito perverso de “crispação” entre atores políticos.

António Costa foi a São Bento nesta quinta-feira apresentar os cumprimentos a Passos Coelho e desejar ao primeiro-ministro “um bom resto de ano”, mas pouco mais saiu da conversa. Aos jornalistas, o novo líder do PS começou por dizer que estas conversas importam porque “é essencial para o país, que o país tenha condições de diálogo”, mas também que tenha um “governo estável, maioritário com coerência. A maioria não pode prescindir de compromissos”.

Mas compromissos sobre o quê? Uma semana depois de a maioria PSD/CDS e PS não se terem entendido sobre a reforma do IRS, Costa disse estar disponível para compromissos desde que não fossem “em abstrato”. E em concreto? Costa recusou revelar a conversa que teve com Passos Coelho e insistiu na ideia que é fundamental, “que os diferentes agentes mantenham relações cordiais”.

E foi a palavra cordial que o novo líder do PS usou para descrever a conversa com o chefe do Governo. A cordialidade de Costa aconteceu numa altura em que há o efeito “perverso” de uma “grande crispação entre os agentes políticos”.

Tal como referiu no discurso final de congresso, Costa, que se fez acompanhar de Ferro Rodrigues e Maria da Luz Rosinha, secretária nacional do partido, salientou que futuros consensos pós-eleições não são uma questão de nomes dos agentes políticos, mas de políticas, até porque “a divergência é normal em democracia”. “O que marcará a relação do PS com as outras forças, não é serem esta ou aquela, serem dirigidas por esta ou aquela pessoa, mas de políticas”, reforçou. Politicas que signifiquem um “sentido comum para o país”.

Em São Bento, na Residência Oficial do primeiro-ministro, as divergências ficaram lá fora assim como os compromissos. Do encontro ficaram as promessas de diálogo futuro e para isso Costa garantiu que vai ainda encontrar-se com os restantes partidos em janeiro e com os parceiros sociais.

Além de Passos Coelho, António Costa já pediu audiências ao Presidente da República e também ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Esta terça-feira, o novo líder do PS foi até ao Parlamento apresentar cumprimentos à presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves. Costa também pediu audiências aos restantes partidos com assento parlamentar, mas ainda não são conhecidas as datas dos encontros.