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O antigo presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa considerou este domingo que os sindicatos da TAP arriscam-se a perder apoio popular fazendo a greve nos dias 27 a 30 de dezembro, como está previsto, e pede clareza ao Governo a explicar o processo de privatização da companhia. O ex-líder do PSD pediu também ao Presidente da República que tome a palavra, num momento sensível para a empresa.

No espaço habitual de comentário na TVI aos domingos, Marcelo Rebelo de Sousa disse que ainda está confiante que os sindicatos voltem atrás na greve, pelo menos que a adiem, considerando que estão a “comprar uma grande impopularidade”. “Nada pior que uma greve numa altura em que perdem apoio popular. (…) Com inteligência eles verão que não é eficaz nesta altura”, disse.

Caso avancem, mesmo com a requisição civil, repetindo o que aconteceu em 1997, quando boa parte dos trabalhadores não apareceu para trabalhar alegando doença, Marcelo Rebelo de Sousa considera que isso vai ter o efeito contrário ao objetivo dos trabalhadores da TAP.

“A inteligência vai levar a que os grevistas desconvoquem e convoquem uma nova greve. Se forem para o afrontamento, a única maneira que vejo e repetirem o que aconteceu em 1997 que foi aparecerem todos doentes, com atestados. Só que em 1997 o país era outro, a tolerância do país era outro. Portanto, isto funciona em boomerang contra eles. De repente aparecer 80% do pessoal da TAP doente. No estado em que está a empresa é uma coisa que soa a brincadeira para os portugueses”, considerou.

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O ex-líder do PSD considerou também que o Governo devia ser mais claro e explicar melhor o processo, e que é “muito importante”, especialmente, “que o Governo defina o modelo de privatização”.

“O processo não tem sido claro, não tem sido explicado”, disse.

O caso Sócrates

Marcelo Rebelo de Sousa considerou também que a decisão de não permitir que José Sócrates fosse entrevistado pelo semanário Expresso “juridicamente é discutível” e que politicamente é “um erro”, porque permite a José Sócrates continuar a vitimizar-se.

Sobre a entrevista do advogado do ex-primeiro-ministro à TVI, Marcelo Rebelo de Sousa diz que João Sousa terá aproveitado o dia em que João Perna era ouvido para mudar o tema na opinião pública com a entrevista e que o estilo do advogado é calculado: “Adotou esse estilo desde o início. Acho que é a maneira de ser dele e é um estilo de defesa que ele adotou, porque entende que é mais eficaz para tornar popular e simpática a causa de José Sócrates”, disse.

As acusações de Ricciardi

Marcelo Rebelo de Sousa respondeu ainda às acusações de José Maria Ricciardi, que o ‘encostou’ ao lado de Ricardo Salgado na disputa e acusou o comentador de estar com mágoa por já não poder passar férias na casa de Ricardo Salgado no Brasil. Marcelo garantiu que pagava as viagens em que ia com a família Espírito Santo, que conhece a família de Ricciardi há mais de 40 anos, e deixou uma resposta dura.

“Se acontecesse à minha família o que aconteceu à família Espírito Santo, não só estaria cheio de mágoa ai sim como de vergonha. Se eu tivesse contribuído para, não apenas delapidar o nome de uma família, tivesse contribuído para delapidar um património, tivesse contribuído para delapidar o património de milhões de portugueses ai é que teria uma grande mágoa, ai é que teria uma grande vergonha. E tivesse contribuído por ação, por omissão ou por distracção”, afirmou.

O comentador diz que dormiu várias vezes em casa de Ricardo Salgado e que isso não o impediu de fazer críticas a Ricardo Salgado na televisão.