A qualidade do ar que se respirou em Portugal em 2013 foi boa ou muito boa durante 80% dos dias do ano. As estatísticas do ambiente, divulgadas esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), mostram uma manutenção dos níveis de qualidade do ar em relação a 2012, apesar se de ter registado a mais baixa proporção de dias em que o ar esteve muito bom desde 2008. Os dados de 2013 revelam contudo sinais de inversão desta tendência (a economia fechou ano a crescer) e há a registar uma subida de 11% na produção de resíduos.

O INE atribui a melhoria dos indicadores ambientais sentida em 2013 à contração da atividade económica verificada em Portugal desde 2011. Um dos principais sinais da crise foi a queda no consumo de energia primária entre 2009 e 2013, que se sentiu sobretudo ao nível da procura de petróleo que encolheu 19,4%. A redução do tráfego automóvel foi um dos fatores que contribui para a melhoria da qualidade do ar, tal como a diminuição da produção de eletricidade através de centrais térmicas (gás natural e carvão), não só devido à menor atividade económica, mas sobretudo por via do aumento do peso das energias renováveis (água e vento).

Menos população, menos poluição

Mas segundo o INE, “uma das principais forças motrizes que atualmente está a provocar mudanças significativas no meio ambiente reside nas tendências demográficas, que na atual conjuntura (decrescimento da e envelhecimento da população) acabam por diminuir as pressões sobre o ambiente”. Os dados de 2013 revelam uma nova queda da população portuguesa, o que é explicado pela combinação de dois fatores: menos nascimentos do que mortes, mas sobretudo pelo saldo migratório negativo. Em 2012 e 2013, esse saldo tem sido superior a 36 mil pessoas.

A crise reduziu o consumo e também foi responsável por uma descida na produção de resíduos urbanos (lixo). Esta tendência foi contudo contrariada pelo crescimento de 18,% na produção de resíduos setoriais em 2013 face ao ano de 2012, contrariando a tendência vivida também em 2011, o que traduz já sinais de retoma económica. Os setores do comércio e serviços foram exceção.

As estatísticas apontam ainda para um indicador de água segura com 98,2%, liderado pelos Açores.